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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

26 dezembro, 2025

A casa perfeita existe e você já mora nela

Aleatoriamente um toque de poesia


A casa perfeita existe, e você já mora nela.
Não falo dos azulejos da cozinha que combinam com o pano de prato, nem do sofá que um dia sonhou trocar. Não é sobre o filtro dos sonhos pendurado na porta do quarto, nem sobre a gaveta que insiste em não fechar. É sobre você a estrutura que sustenta tudo isso.

A casa perfeita é o corpo que carrega sua história.
É o teto das suas ideias, o chão onde seus sentimentos tocam antes de virarem entendimento. É o corredor estreito entre o que você queria ser e o que, aos poucos, entende que já é. Essa casa tem janelas antigas, que rangem quando o vento passa, lembrando que se abrir dói, mas ventila.

Tem paredes marcadas pelas vezes em que você encostou as costas pedindo descanso.
Tem um encanamento emocional que às vezes entope e aí a tristeza sobe, transborda, molha o piso das certezas. Mas depois você aprende, conserta, chama ajuda, areja. Tem um telhado que vaza em dias de tempestade, e mesmo assim, é ali que você se abriga enquanto aprende a costurar telhas novas de coragem.

Essa casa perfeita tem uma sala cheia de risos que você ainda não deu.
Tem um quintal onde brotam planos, mesmo quando você jura que não planta mais nada. Tem um sótão onde guardou muita coisa que não quer mais revisitar e tudo bem, porque um dia desses, com calma, você sobe com uma lanterna e decide o que ainda te serve.

A casa perfeita tem rachaduras, e são nelas que a luz entra.
Foi Clarice? Foi Cohen? Ou foi você mesma quem entendeu isso primeiro, num dia comum, lavando roupas e lavando culpas? Não importa. O que importa é o milagre simples de saber-se habitável, ainda que imperfeita.

Você já mora na casa perfeita.
E talvez o passo mais bonito seja parar de reformá-la para os outros, e começar a decorá-la para si. Comprar flores sem motivo. Colocar cortinas de leveza. Pendurar quadros de memórias que não doem mais. Abrir espaços para visitas que chegam em forma de carinho, e trancar o portão para quem só quer bagunça.

No fim das contas, perfeição é quando você se deita no próprio peito e, pela primeira vez em muito tempo, sente-se em casa.
E respira.

Porque a casa perfeita existe, e você já mora nela.
É só voltar para dentro.


Fernanda

O lar que buscamos é desde sempre, o retorno para nós.

12 comentários:

  1. Poema deslumbrante, intenso, profundo, que muito gostei de ler
    .
    Bom fim de semana.
    Que o ANO NOVO de 2026, traga Saúde, Paz, Harmonia e tudo o mais que seja bom para si, sua família e amizades.

    Feliz ANO NOVO.
    .

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    1. Ricardo, obrigada pelo olhar tão generoso.Desejo que 2026 chegue leve, com a saúde que sustenta, a paz que acalma, a harmonia que enlaça e tudo aquilo que faz a vida valer a pena ao lado de quem amamos.Feliz Ano Novo para você e para todos os seus.

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  2. Uma reflexão perfeita, Fernanda . Amei ler e muito vi de mim nessa sua refexão. Muitas ezes nossa casa física recebe muito mais atenção que a "nossa própria morada interior , nossos sentimentos, nossas emoções. Uma reflexão para levar para a vida. Que nesse próximo ano possas estar mais atentos à nossa morada interior .
    https://kantinhodafe.blogspot.com
    https://kantinhodasmensagens.blogspot.com
    https://kantinhodaedite.blogspot.com

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    1. Edite, que alegria ler seu comentário Você disse algo essencial: muitas vezes a casa física ganha prioridade, enquanto a morada interior vai ficando num canto, esperando cuidado, esperando luz.
      Que 2026 seja esse convite manso para arrumar os cômodos da alma com a mesma delicadeza que esticamos lençóis e abrimos janelas. Que possamos ventilar sentimentos, reorganizar a mente, lavar mágoas e, principalmente, decorar a vida com paz.🙏🏻

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  3. Casa perfeita? A minha é?
    É do jeito que planejei, num local que sonhei, de frente para praia onde praticamente me criei.
    E tem janelas grandes de onde posso ver imagens lindas para fotografar.
    Beijo,

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    1. Liliane,

      que delícia saber que sua casa é exatamente desse jeitinho sonhado.
      De frente para a praia, com janelas grandes e memórias que respiram parece um abraço de mar dentro do cotidiano. Imagino a luz entrando, a brisa contando histórias e cada fotografia sendo quase uma oração de gratidão. Quando o lar é sonho realizado, ele vira testemunho da nossa trajetória e isso é precioso demais. Que você siga encontrando beleza no que vê da janela e paz no que sente aí dentro.
      Beijo grande, e obrigada por partilhar um pedacinho do seu lugar comigo. 🙏🏻

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  4. Boa tarde de Oitava. de Natal, querida amiga Fernanda!
    Ah! A nossa casa...
    Um lugar amigo e de bem com a vida...
    Eu me abrigo enquanto aprendo a costurar telhas novas de coragem...
    O telhado ainda näo esta pronto, mas tem tudo que preciso para viver protegida de tanto lá fora...
    Que eu saiba dar valor à minha casa interior!
    Tenha dias felizes e abençoados!
    Beijinhos fraternos e festivos

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    1. Querida Roselia,

      A nossa casa interior é mesmo esse abrigo em construção às vezes com telhado faltando, às vezes com paredes recém-pintadas de esperança, às vezes só com um cantinho pronto, mas já suficiente para a gente respirar e se sentir protegida do tanto que existe lá fora.
      Também aprendo, dia após dia, a valorizar esse lar, onde repousam a fé, os afetos e a coragem que nos sustenta. Que Deus nos ajude a cuidar dessa morada com carinho, paciência e verdade, mesmo quando ainda está em obra.
      Obrigada pela sua presença tão terna. Dias felizes e abençoados para você também!
      Beijinhos fraternos e festivos 😘🙏🏻

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  5. Eu acho esse texto tão perfeito, tão encantador, que é um crime ele não estar publicado fisicamente em algum livro. Espero que faça isso um dia.

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    1. Fabiano,

      que comentário mais generoso o seu… fiquei até sem saber onde guardar tanto elogio.🙏🏻
      Saber que gostou assim, com essa força bonita, já é um presente; mas ouvir que ele merecia um livro… isso toca fundo. Talvez um dia, quem sabe, quando a coragem alinhar as páginas e o coração topar virar papel. Obrigada por acreditar antes mesmo de existir. Comentários como o seu são como empurrãozinho manso do destino: “vai, continua.”

      De verdade: obrigada. 🙏🏻 😘

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    2. Não precisa agradecer. Eu falo de coração. Ao longo desses anos, tenho lido muitos colegas de escrita, seja em blogs ou ebooks, até mesmo em livros físicos que conseguem publicar. Focando em você, agora: amo o esmero que dá para sua escrita. É ímpar! Deveria ser seguido por mais gente.

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    3. Fabiano, obrrigada! Suas palavras me emocionam.

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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