Outro dia ouvi alguém dizer, quase num desabafo cansado:
“Se Deus existe, por que tanta injustiça?”
E a frase ficou repetindo em mim. Não porque eu nunca tivesse pensado nisso, claro que já, mas porque hoje entendo a pergunta por outro ângulo.
A gente cresce ouvindo que Deus é pai, é amor, é cuidado.
E é.
O problema é que confundimos cuidado com controle. Como se Ele tivesse a obrigação de nos proteger até de nós mesmos. Como se Deus pudesse impedir toda crueldade humana com um simples estalar de dedos e, se não o faz, então é culpado.
Só que não se pode culpar Deus pela maldade dos homens. O livre-arbítrio existe justamente pra nos lembrar que amadurecer é escolher. E que escolhas têm consequências.
Deus deu a direção, mas cada um segura o volante.
É como entregar uma casa pronta para um filho e dizer:
Aqui está seu lar. Cuide. Cresça. E o filho, com as próprias mãos, decide se constrói jardim ou muro, se abre janelas ou fecha tudo por dentro.Se quebra o vaso ou planta uma rosa.
A crueldade não é castigo divino; é escolha.
A injustiça não é plano de Deus; é interferência humana no que Ele sonhou.
Ele não nos criou para arrancar pedaços uns dos outros, mas para transpor obstáculos.
Se transformamos estruturas em muros, o erro não é d’Ele.
A verdade amarga é que Deus não faz por nós o que cabe a nós fazer.
Ele não vai impedir a mão que levanta a ofensa.
Mas pode inspirar quem a levanta a desistir da violência. E pode consolar quem sofreu dela.
O mundo não se perde porque Deus nos “abandonou;”
o mundo se perde quando a gente abandona Deus dentro da gente.
E veja quando digo Deus, não falo da estátua, do altar, ou da imagem pintada.
Falo da centelha.
Da ética. Do amor que sentimos quando cuidamos.
Da paz que nasce quando fazemos o certo.
Do agasalho que o perdão dá ao peito.
Se cada um carregasse essa centelha com o respeito que ela merece, não haveria “por que Deus permite?”.
Porque a permissão é nossa. Somos nós que autorizamos a violência quando nos calamos diante dela.
Somos nós que alimentamos a injustiça quando fingimos que não vemos.
Somos nós que perpetuamos o ódio quando escolhemos vingança em vez de compaixão.
A responsabilidade é humana. A resposta, divina.
Às vezes imagino Deus observando, com aquele olhar de quem torce, esperando o momento em que finalmente vamos entender que Ele não é o autor da dor, mas o bálsamo. Como um pai que assiste o filho cair da bicicleta sabendo que poderia segurá-lo, mas que, se o fizesse, ele nunca aprenderia a manter o próprio equilíbrio.
E é aí que a fé se torna adulta: quando paramos de exigir que Deus seja babá, e começamos a ser responsáveis pela nossa porção de mundo.
Então, da próxima vez que alguém perguntar:
“Se Deus existe, por que tanta maldade?”
Talvez a resposta seja só a luz.
Porque Ele nos deu liberdade e a gente ainda não aprendeu a usar com amor.
No fim das contas, Deus é o amor que aponta o caminho.
Os passos, porém, são nossos.
Fernanda
Nanda, tens toda razão! Deus é amor, aponta verdades e caminhos. Mas os humanos não observam tudo isso, escolhem seguir por lado diferentes, o do mal! Pena!
ResponderExcluirQue 2026 seja lindo em todos os sentidos. Feliz novo ano!
beijos, tudo de bom,chica
Olá, bom dia: Independentemente da sua publicação que vi e li com todo o gosto, passo a fim de desejar um bom final do ANO de 2025 e um FELIZ E PRÓSPERO ANO NOVO DE 2026, votos extensivo à sua família e amizades
ResponderExcluir.
As maiores felicidade e prosperidade para o seu bonito e agradável blogue.
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“” pensamentos e Devaneios Poéticos“
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Querida Fernanda
ResponderExcluirUm reflexão excelente nestes dias em que se prega o Amor, mas fazemos precisamente o contrário.
Em vez da compaixão armamo-nos em justiceiros e, mais ainda, em vingadores de dores antigas e ambições do presente.
E não paramos para pensar um pouco e chegar à conclusão de que se olharmos para os outros com a bondade que nasce do coração tudo será mais fácil.
Temos todas as ferramentas necessárias para um viver dentro das normas do bem-querer. Mas nem sempre isso acontece.
Minha amiga, desejo-te um Ano Novo muito Feliz, ao lado dos teus.
Beijinhos
Olinda
Fernanda, amiga querida,
ResponderExcluirFaço minhas cada palavra do teu excelente texto! Um texto que nos diz com uma verdade linear, que Deus nos deu toda a liberdade para viver e agir de acordo com a nossa vontade e consciência! Ele... nos observa, atentamente, e muitas vezes, sem o sabermos, ele nos inpede de cometer loucuras. Ele está sempre vigilante, mas deixa para nós a decisão de agir. Sim... porque sabemos distinguir entre o bem e o mal. A força divina que emana de Deus, resulta do poder magnânimo que Deus tem de nos conceder o perdão!
Só Ele pode perdoar! E só isso nos deveria fazer pensar antes de agir. Porque somos humanos erramos, mas quantos de nós continuam a errar sem reconhecer os seus erros?? Persistem em afrontar o Pai, numa completa falta de Fé, e sem o mais leve sinal de arrependimento!
As tuas palavras Fernanda, deveriam ser lidas com toda a atenção, porque elas são como um compêndio que nos ensina como lidar com Deus... Nos diz como a Fé nos pode ajudar a alcançar o Seu perdão! Nunca podemos esquecer que a bondade de Deus é infinita... mas para isso, precisamos acreditar NELE...
e ter FÉ.
Um beijo grande para ti e que tenhas um Ano Novo abençoado e muito feliz, junto de todos quantos amas.
albino
Boa noite, minha querida amiga Fernanda!
ResponderExcluirDeus é tão.bom para nós...
Infelizmente ou felizmente temos o livre arbitrio que põe em cheque muitas coisas...
Ele permite... nós consentimos.
Deus não precisa de defesa...
Quem crê terá sua proteção.
Que seu final de ano seja feliz e abençoado!
Beijinhos fraternos e festivos
😇💝🤝🙏😘