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29 janeiro, 2026
Entre Luz e Silêncio
4 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)
Amiga Fernanda, bom dia de Paz!
ResponderExcluirQue poena mais lindo!
De muita sensibilidade, com o dourado e o silêncio encantando o horizonte.
Perfeito!
Hoje ja e um dia feliz para mim, vamos ter um lual meditativo, merecia acordar e ler um poema belo, intenso, para dar cor ao dia inicial.
Obrigada. 💙
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos
Oi, Fernanda! Bom dia! Lindo o que escrevestes. Que sua caminhada em direção ao horizonte seja repleta de calma e luz, onde cada passo ressoe como uma doce promessa, em vez de um adeus ao fugaz momento. A beleza de sua poesia me cativa verdadeiramente. Obrigado por escrever e por presentear minh 'alma com sua poesia. Um abraço fraterno Fernanda.
ResponderExcluirLinda foto e poesia em tuas palavras. Deitamos com esperança de um novo e brilhante dia! beijos, ótimo fds! chica
ResponderExcluirQuerida Fernanda
ResponderExcluirÉ muito belo o teu poema!...!!!
Já sabes o que penso sobre a tua arte poética. Eu sei que é na Poesia que tu te completas!...
Deixo-te um excerto de um poema de Pessoa. Uma forma belíssima de ver o Sol.
Espero que gostes.
(...) Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Um abraço com carinho.