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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

09 maio, 2026

Maternidade

Aleatoriamente um toque de poesia

Quando mãe é poesia, o amor deixa de caber nas palavras comuns. E talvez a poesia mais bonita sobre mãe seja essa: ela quase nunca fala do que renuncia, mas transforma renúncia em AMOR todos os dias.♥️

Penso que a maternidade começou antes mesmo da primeira mulher segurar um filho no colo. Começou no instante em que alguém decidiu cuidar de outro alguém mesmo estando cansada, machucada, ferida, por amor . Quando leio Primeira Epístola a Timóteo 2:15, não consigo enxergar apenas parto. Vejo profundidade. Vejo entrega. Vejo uma espécie de amor que rasga as entranhas do imensurável  para que outro ser exista mais inteiro. Porque ser mãe nunca foi somente gerar corpos.

Há mulheres que geram coragem. Outras geram abrigo. Algumas geram fé dentro de casas destruídas. Conheci mulheres que nunca tiveram filhos, mas eram mães de vizinhos, sobrinhos, alunos, animais abandonados e até de homens adultos emocionalmente perdidos pela vida. E conheci também quem deu à luz crianças, mas nunca aprendeu a oferecer presença, carinho, cuidados.

A maternidade verdadeira não mora só no ventre.
Mora no cuidado. Mãe é quem percebe a febre antes do termômetro. Quem doa o último pedaço mesmo sentindo fome. Quem ora baixinho enquanto todos dormem. Quem continua sustentando a casa por dentro quando já desabou por fora.

Talvez por isso Deus permita que tantas mães envelheçam cansadas: porque amar profundamente também desgasta o corpo. Mas há santidade nisso. Uma mulher embalando um filho às três da manhã talvez esteja mais próxima do céu do que muita gente ajoelhada em templos.
Porque Deus sempre pareceu gostar das pessoas que cuidam.

E existe um fato que quase ninguém comenta sobre a maternidade. Aquela quando a casa finalmente aquieta, os filhos dormem, e a mãe encosta na parede da cozinha tentando lembrar quem era antes de pertencer tanto a tantos. Sim, toda mãe, em algum momento, sente saudade dela mesma.
Saudade do tempo em que podia adoecer sem continuar funcionando. Do tempo em que o choro era ouvido. Do tempo em que não precisava ser forte o tempo inteiro. Mas ainda assim, no dia seguinte, ela levanta.

Levanta com olheiras.
Com medo.
Com seu melhor sorriso. 
E continua amando.
O amor  torna a maternidade mais sagrada: a permanência.
O brilho no olhar. Mesmo quando os filhos crescem e esquecem certas delicadezas. Mesmo quando o mundo inteiro exige mais do que ela consegue dar.

Mãe quase nunca desiste completamente. Pode cansar.
Pode chorar escondido no banheiro. Pode dizer que não aguenta mais. Mas existe dentro dela uma espécie de fio, que continua ligando seu coração ao daqueles que ama. E penso que Deus conhece bem esse fio.😉

Toda maternidade carrega um pouco do amor divino: o amor que alimenta, corrige, espera, sofre junto e permanece. Hoje, enquanto escrevo, imagino milhares de mães espalhadas pelo mundo.
Algumas sorrindo em mesas cheia de alegria. Outras tentando sobreviver ao luto de um filho. Algumas gestando vidas. Outras tentando reconstruir as próprias.

Há mães cansadas.
Mães solo.
Mães adotivas.
Mães de coração.
Mães que partiram e deixaram saudade morando  em cada cantinho da casa. E para todas elas, minha reverência. Que o Senhor do Alto abrace cada mãe que já se sentiu insuficiente. Cada mulher que amou além das próprias forças. Cada coração materno que continuou oferecendo luz mesmo nos dias escuros.

Feliz Dia das Mães para vocês mulheres que transformam cuidado em milagre cotidiano.
Feliz dia da Mães para NÒS!



Fernanda

6 comentários:

  1. Olá, Fernanda
    Um texto maravilhoso que toca todas as
    facetas do amor de Mãe. Ser mãe dos filhos que lhes nasce do ventre, mas também daqueles que lhes vêm do coração. Tudo tem um propósito, um fim , e é na Alma da Mulher que se lhes encontra o objectivo, no cansaço do quotidiano, quando têm a mesa cheia de gente, no sorriso que buscam e na satisfação quando o encontram.
    Feliz Dia da Mãe.
    Beijinhos
    Olinda

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  2. Você disse tudo. Mãe é tudo isso. Mas mãe também precisam de apoio, precisa de alguém que divida o peso. Mãe é ser humano, apesar da força sobre-humana. Que nenhuma mãe deixe de pensar nela mesma pensando demais em todos.

    Feliz dia das mães

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  3. Olá Fernanda!
    Os teus textos são sempre maravilhosos, nos tocam profundamente a alma...
    Espero que também o teu Dia da Mãe tenha sido Maravilhoso e pleno de amor.

    Espero que tudo estaja bem contigo.
    Um grande abraço!

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  4. Olá Fernanda!
    Hoje em dia eu nem falo amis que é difícil ser mãe ou ser pai. O que é difícil hoje em dia é ser família.
    Família que ama.
    Que tem mãe que cuida, que tem pai que ampara.
    Infelizmente estamos vangloriando outros tipos de ajuntamentos e solos enquanto a celula primeira da comunidade, quela que Jesus tanto presou, está sendo esquecida.
    Pelas suas postagens eu vejo que você tem uma linda família, e isso é mais importante que papéis separados.
    Mas o papel da mãe nunca pode ser mesmo esquecido e festejado. Porque uma mãe consciente ajuda seus filhos a serem fortes e preparados para a vida.
    Feliz semana pra você e sua família.

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  5. Qué maravillosas letras para homenajear a las mamás. Mis felicitaciones a todas. Un abrazo

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  6. Boa tarde.
    Muito bem escrito.
    Gostei, sobretudo, de como foste buscar sustento para o que escreves, na Bíblia...
    Hoje em dia, muitos que dizem conhecer e até seguir o que nela está escrito, acham que...como dizer isto...está fora de moda, que devemos segui-la, mais ou menos como nos dá jeito.
    Contudo, esquecem, que a vontade de Deus não mudou, não está fora de moda, desatualizada...
    É a mesma!

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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