Penso que a maternidade começou antes mesmo da primeira mulher segurar um filho no colo. Começou no instante em que alguém decidiu cuidar de outro alguém mesmo estando cansada, machucada, ferida, por amor . Quando leio Primeira Epístola a Timóteo 2:15, não consigo enxergar apenas parto. Vejo profundidade. Vejo entrega. Vejo uma espécie de amor que rasga as entranhas do imensurável para que outro ser exista mais inteiro. Porque ser mãe nunca foi somente gerar corpos.
Há mulheres que geram coragem. Outras geram abrigo. Algumas geram fé dentro de casas destruídas. Conheci mulheres que nunca tiveram filhos, mas eram mães de vizinhos, sobrinhos, alunos, animais abandonados e até de homens adultos emocionalmente perdidos pela vida. E conheci também quem deu à luz crianças, mas nunca aprendeu a oferecer presença, carinho, cuidados.
A maternidade verdadeira não mora só no ventre.
Mora no cuidado. Mãe é quem percebe a febre antes do termômetro. Quem doa o último pedaço mesmo sentindo fome. Quem ora baixinho enquanto todos dormem. Quem continua sustentando a casa por dentro quando já desabou por fora.
Talvez por isso Deus permita que tantas mães envelheçam cansadas: porque amar profundamente também desgasta o corpo. Mas há santidade nisso. Uma mulher embalando um filho às três da manhã talvez esteja mais próxima do céu do que muita gente ajoelhada em templos.
Porque Deus sempre pareceu gostar das pessoas que cuidam.
E existe um fato que quase ninguém comenta sobre a maternidade. Aquela quando a casa finalmente aquieta, os filhos dormem, e a mãe encosta na parede da cozinha tentando lembrar quem era antes de pertencer tanto a tantos. Sim, toda mãe, em algum momento, sente saudade dela mesma.
Saudade do tempo em que podia adoecer sem continuar funcionando. Do tempo em que o choro era ouvido. Do tempo em que não precisava ser forte o tempo inteiro. Mas ainda assim, no dia seguinte, ela levanta.
Levanta com olheiras.
Com medo.
Com seu melhor sorriso.
E continua amando.
O amor torna a maternidade mais sagrada: a permanência.
O brilho no olhar. Mesmo quando os filhos crescem e esquecem certas delicadezas. Mesmo quando o mundo inteiro exige mais do que ela consegue dar.
Mãe quase nunca desiste completamente. Pode cansar.
Pode chorar escondido no banheiro. Pode dizer que não aguenta mais. Mas existe dentro dela uma espécie de fio, que continua ligando seu coração ao daqueles que ama. E penso que Deus conhece bem esse fio.😉
Toda maternidade carrega um pouco do amor divino: o amor que alimenta, corrige, espera, sofre junto e permanece. Hoje, enquanto escrevo, imagino milhares de mães espalhadas pelo mundo.
Algumas sorrindo em mesas cheia de alegria. Outras tentando sobreviver ao luto de um filho. Algumas gestando vidas. Outras tentando reconstruir as próprias.
Há mães cansadas.
Mães solo.
Mães adotivas.
Mães de coração.
Mães que partiram e deixaram saudade morando em cada cantinho da casa. E para todas elas, minha reverência. Que o Senhor do Alto abrace cada mãe que já se sentiu insuficiente. Cada mulher que amou além das próprias forças. Cada coração materno que continuou oferecendo luz mesmo nos dias escuros.
Feliz Dia das Mães para vocês mulheres que transformam cuidado em milagre cotidiano.
Feliz dia da Mães para NÒS!
Fernanda
Olá, Fernanda
ResponderExcluirUm texto maravilhoso que toca todas as
facetas do amor de Mãe. Ser mãe dos filhos que lhes nasce do ventre, mas também daqueles que lhes vêm do coração. Tudo tem um propósito, um fim , e é na Alma da Mulher que se lhes encontra o objectivo, no cansaço do quotidiano, quando têm a mesa cheia de gente, no sorriso que buscam e na satisfação quando o encontram.
Feliz Dia da Mãe.
Beijinhos
Olinda
Você disse tudo. Mãe é tudo isso. Mas mãe também precisam de apoio, precisa de alguém que divida o peso. Mãe é ser humano, apesar da força sobre-humana. Que nenhuma mãe deixe de pensar nela mesma pensando demais em todos.
ResponderExcluirFeliz dia das mães
Olá Fernanda!
ResponderExcluirOs teus textos são sempre maravilhosos, nos tocam profundamente a alma...
Espero que também o teu Dia da Mãe tenha sido Maravilhoso e pleno de amor.
Espero que tudo estaja bem contigo.
Um grande abraço!
Olá Fernanda!
ResponderExcluirHoje em dia eu nem falo amis que é difícil ser mãe ou ser pai. O que é difícil hoje em dia é ser família.
Família que ama.
Que tem mãe que cuida, que tem pai que ampara.
Infelizmente estamos vangloriando outros tipos de ajuntamentos e solos enquanto a celula primeira da comunidade, quela que Jesus tanto presou, está sendo esquecida.
Pelas suas postagens eu vejo que você tem uma linda família, e isso é mais importante que papéis separados.
Mas o papel da mãe nunca pode ser mesmo esquecido e festejado. Porque uma mãe consciente ajuda seus filhos a serem fortes e preparados para a vida.
Feliz semana pra você e sua família.
Qué maravillosas letras para homenajear a las mamás. Mis felicitaciones a todas. Un abrazo
ResponderExcluirBoa tarde.
ResponderExcluirMuito bem escrito.
Gostei, sobretudo, de como foste buscar sustento para o que escreves, na Bíblia...
Hoje em dia, muitos que dizem conhecer e até seguir o que nela está escrito, acham que...como dizer isto...está fora de moda, que devemos segui-la, mais ou menos como nos dá jeito.
Contudo, esquecem, que a vontade de Deus não mudou, não está fora de moda, desatualizada...
É a mesma!