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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

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Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

28 maio, 2026

Os Hieróglifos e os Egípcios

Aleatoriamente um toque de poesia


Sempre achei curioso o modo como os egípcios escreviam: figuras, animais, símbolos, tudo misturado num mesmo espaço sagrado. Era como se cada palavra tivesse alma, e cada traço guardasse uma prece.
Talvez por isso a escrita deles tenha passeado milênios porque não era apenas comunicação, era encantamento.

Os hieróglifos não serviam para falar do banal. Eram usados para contar o que importava: o nascimento, a morte, o amor, a eternidade. Tudo o que fosse digno de permanecer precisava ser gravado em pedra, como quem queria dizer: “isto é maior do que o tempo.”

E penso que, de algum modo, ainda somos um pouco egípcios. Continuamos tentando deixar nossas marcas não mais em paredes de templos, mas nas telas, nos papéis, nas memórias alheias.
Cada mensagem, cada fotografia, cada palavra dita em voz trêmula é um hieróglifo moderno: uma tentativa de resistir ao esquecimento.

Talvez os egípcios não quisessem apenas falar com os "deuses", mas com o futuro.
E aqui estamos nós, repetindo o gesto, tentando ser entendidos por alguém que ainda não nasceu.
No fundo, todos queremos o mesmo:
que o tempo nos leia e que entenda.



 Fernanda


8 comentários:

  1. Adorei tua reflexão e pensamento,Nanda! Realmente estamos sempre escrevendo e querendo ser entendidas... Gostei! beijos,, boa noite, chica

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  2. Nossa! Que engraçado, hoje mesmo logo muito cedinho, minha filha Raïssa tossia muito e fui correndo para fazer um leite quente, caramelado com canela para que ela parasse de tossir e neste afã, perdi o sono. Um tiquinho depois comecei a tirar o pó da biblioteca. Vi que o livro "A Era dos Reis Divinos", de capa parecido em couro azul, estava com manchas e comecei a faxina, não me furtando de folheá-lo me lembrando do dia que meu marido e eu o escolhemos Tem muitos hieróglifos por se tratar do Egito. Tudo muito lindo. Realmente você tem razão, a escrita não era para banalidades, usam figuras, símbolos para o registro dos fatos. O mundo da escrita até hoje atrai e a mim também. Me encanto comas tuas palavras que casam certinhas num pensamento. Olhe, fiquei um tempo olhando os egípcios e vindo aqui encontro você neles citando! Abraço!

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  3. Um texto que traduz meus pensamentos em relação ao valor da escritas simbolizando como a vida se processa ao longa dos séculos. Nossos registros, nossas marcas que contam histórias... Bjs Norma

    https://pensandoemfamilia.com.br/cronica/encontro-entre-dois-saberes/

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  4. Tenho visto nas fotos de Instagram que sigo, alfabetos desconhecidos para nós, mas o bom é que a Internete traduz e a gente pode comentar a foto com nosso alfabeto.
    Nunca tive curiosidade em saber o que os hieroglifos significava, querida Fernanda. Beijo,

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  5. Talvez depois roda e da descoberta do fogo, a linguagem escrita foi a grande invenção do espírito humano, algo que acelerou a transmissão de ideias e conhecimentos. Os hebreus também tinha sua escrita e língua como sagradas.

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  6. Olá Fernanda. Espero que tudo esteja bem contigo. Acho estranho a tua ausêncio no Polyedro. Passa-se algo?
    Talvez seja falta de tempo. Entendo isso.
    Estou a preparar o lançamento de um novo livro meu. Também tenho estado sem tempo. Os dias deveriam ter mais horas!
    Um abraço para ti.

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  7. Não devia ser fácil escrever naquele tempo.
    Tá doido!
    Nossos hierogrifos são amis legais.

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  8. Olá, Fernanda,

    Tive que voltar aqui para comentar esse texto. Eu li quando foi publicado, mas estava com problemas para conseguir acessar o meu perfil do blogger e comentar. Porém, consegui agora e voltei neste escrito para ressaltar a sua sensibilidade nessa visão sobre a escrita egípcia antiga.
    Por coincidência, ou não, na época que você postou este texto eu estava lendo e refletindo a respeito desses registros do Antigo Egito.

    Acredita-se que a escrita da História, como conhecemos hoje, iniciou na Grécia Antiga com Heródoto. No entanto, de uns tempos para cá alguns pesquisadores, especialmente os de História Antiga, argumentam que os Egípcios poderiam ser considerados como responsáveis por escrever História antes dos gregos.

    Os registros do Antigo Egito não parecem ter sido apenas louvor aos deuses, mas também com forte grau de registro para as gerações futuras. De busca por ser lembrado, e também por apagar outros da história.

    Sua frase é excelente em descrever isso, "Talvez os egípcios não quisessem apenas falar com os 'deuses', mas com o futuro".

    Obrigado pelos textos. Como já disse antes, leio sempre, mesmo que não comente todos.
    Abraços de seu amigo virtual.

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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