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27 agosto, 2026
A regra do tempo
3 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)
Ótima reflexão em poesia, Fernanda.
ResponderExcluirMuito verdadeiro,Nanda! Nada que se consegue ou tenta conseguir atropelando os outros prospera!
ResponderExcluirGostei muito! beijos, chica
Amiga Fernanda, boa noite de paz!
ResponderExcluirHoje li algo que me lembrei agora que dizia sobre ser como Deus quando perdoamos o que nos fere...
Sim, concordo...
Mas não há mais nenhuma necessidade de convívio nem de tapinhas nas costas...
"O tempo, esse juiz silencioso e preciso não se impressiona com vitórias que sangram."
Quem nos fez sangrar vai ter que prestar contas a Deus, não é preciso que seja a nós.
Isso me deixa com a consciência bem tranquila. Não me preocupo mais se alguém tenteou destruir minha vida ou imagem, tudo Deus vê...
Um post de sentimento verdadeiro.
Tenha dias abençoadosQ!
Beijinhos fraternos