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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

28 agosto, 2026

Ofício

Aleatoriamente um toque de poesia



Aprendi, na longa caminhada,
que a vida é um ofício delicado: há dias em que precisamos de agasalho
e outros em que o coração se veste apenas de coragem.

No pincel, aprendi a decifrar
o que as palavras não conseguem dizer.
Pintei o silêncio,
as marcas do tempo,
a desordem dos pensamentos
e os sonhos desmedidos
que o espírito insiste em guardar.

Fiz dos versos minha casa,
da poesia, minha raiz,
e fui colorindo o mundo
com as pequenas coisas
que quase ninguém percebe.

Aprendi que o tempo não apaga. Ele apenas muda as cores daquilo que um dia nos feriu.

Por isso, hoje,
não tenho pressa de compreender tudo.
Há mistérios que preferem permanecer entre o céu e o mar, entre uma lembrança e outra, entre aquilo que fomos
e aquilo que ainda podemos ser.

Deito no sopro da brisa
as minhas inquietações
e deixo que o vento
leve consigo o que já não me pertence.

Depois recolho meus versos
como quem recolhe flores
de um jardim depois da chuva.

E caminho.
Com algumas marcas,
algumas cicatrizes,
muitos sonhos desmedidos
e uma certeza tranquila:

a vida pode até trazer desordem, 
mas enquanto houver poesia, 
sempre encontraremos um jeito de colorir novamente
a nossa caminhada.

Porque escrever, para mim,
não é apenas juntar palavras.

É tocar a própria raiz,
escutar o espírito
e transformar o que sentimos
naquilo que o tempo
não consegue apagar:

um verso vivo
dentro da alma.

Fernanda

Um comentário:

  1. Oi, Fernanda! Sua poesia é realmente linda! Que você continue se reinventando por meio dela, porque é exatamente isso que a poesia nos proporciona. Ela suaviza a caminhada difícil que é existir neste mundo, mesmo com tantas coisas maravilhosas para experimentar por aqui, não é mesmo? Um fraterno abraço!

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)

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