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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

17 novembro, 2025

Puxar a cadeira

Aleatoriamente um toque de poesia



Há quem diga que comentar um texto é um exercício simples: lê-se, gosta-se, escreve-se qualquer coisa. Mas eu desconfio dessas pressas. Para mim, comentar sempre foi um gesto íntimo, quase ritualístico  desses que pedem calma, respiração e uma certa delicadeza do espírito.

Fico pensando nisso cada vez que visito um espaço amigo, cada casa de palavras que encontro pelo caminho: a sensação é sempre a mesma, um carinho que nasce antes mesmo da leitura. Não é obrigação nem etiqueta literária; é afeto.

E porque é afeto, não pode ser feito correndo.

Minha mente tem um hábito curioso: quando vejo um texto, às vezes quero responder na hora, mas não consigo. O dedo até pousa sobre o teclado, mas o coração ainda não chegou. E eu aprendi muitas vezes com certo custo que comentar por comentar é como bater na porta sem entrar: faz barulho, mas não cria encontro.

Eu, Fernanda, gosto de “puxar a cadeira”.
É exatamente assim que sinto.

Abro o texto como quem entra numa sala iluminada pelo silêncio. Sento-me. Deixo as palavras se aproximarem de mim, uma por uma, feito gente que vem contar suas histórias com uma xícara nas mãos. Eu escuto. Às vezes sorrio, outras vezes me recolho. Mas sempre converso não com o papel, mas com a pessoa que sei que está por trás dele, ali, sem rosto mas  presente.

Comento dialogando, como se o autor estivesse sentado à minha frente, inclinando-se levemente, esperando minha resposta com o mesmo cuidado com que me ofereceu sua escrita.

Talvez seja isso que torna esse gesto tão especial: o que chamam de comentário, eu chamo de encontro. E encontros, na minha vida, nunca acontecem no automático.

Por isso demoro, por isso paro, por isso volto.
Vou quando posso ir inteira.

E cada visita, cada troca, cada pedacinho de conversa que nasce entre um texto e outro, me confirma: carinho não tem relógio. Tem presença. Tem verdade. Tem cadeira puxada.

E eu sigo assim conversando com as palavras como quem conversa com gente. Porque, no fundo, é isso mesmo que elas são.


Fernanda

Porque, no fim das contas, 
comentar é apenas isso: 
deixar o coração sentar um pouco ao lado das palavras.

14 comentários:

  1. Que sempre eu tenha uma cadeira bem bonita para receber os amigos! Adoro quando te sentas e comentas com o coração na ponta dos dedos! E sentimos isso sempre.É muito bom!
    Lindo dia cheio de coisas boas! beijos, chica

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    1. Chica, querida,

      essa da cadeira sempre pronta para receber os amigos! E eu me sento com alegria, viu? Porque seu espaço tem essa delicadeza boa de casa aberta, de acolhimento verdadeiro.

      Fico muito tocada em saber que você sente o coração nos meus dedos é exatamente assim que escrevo, com afeto derramado, como quem visita uma amiga querida.

      Que seu dia seja mesmo cheio dessas coisas boas que você espalha.
      Beijos com carinho!
      😘🙏🏻

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  2. Oi, Fernanda! O que você expressa é uma verdadeira ode à conexão humana em meio ao turbilhão da vida moderna. É incomum encontrar alguém que, como você, aprecia a profundidade das palavras e a beleza do momento presente. Em um mundo marcado pela pressa e pela superficialidade, o ato de se permitir sentir e refletir se torna um verdadeiro milagre eu diria. Sua generosidade em reconhecer esse dom é um presente que enriquece a troca de ideias. Cada visita ao seu espaço é uma oportunidade de descobrir novas nuances e sabedorias, e isso é algo que realmente ilumina a jornada de cada alma que visita o seu blog. Abraço!

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    1. Luciano,

      ler você é sempre como respirar um ar mais limpo. Suas palavras chegam com essa lucidez rara, capaz de enxergar beleza justamente onde o mundo anda tão apressado para perceber. E talvez seja isso mesmo: sentir, refletir e se deixar tocar virou quase um milagre mas um milagre possível, desses que se repetem quando duas almas se encontram com verdade.

      Fico imensamente feliz que minhas pequenas reflexões iluminem um pouco o caminho de quem passa por aqui. Você, com esse olhar atento e generoso, também ilumina o meu.

      Obrigada pela presença tão especial.
      Um abraço cheio de carinho!🤗

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  3. Fernanda, gosto muito de comentários escritos de livros, de política. Escritos porque posso ler e reler.
    Acompanho Vídeos de Política e de Literatura. Aprendo com eles.
    Meu Blog comecei em 2005 e desde então, escrevo sempre.
    Aprendo alguma coisa todos dia, com tudo que vejo e que leio. Beijo,

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    1. Fernanda, gosto muito de comentários escritos de livros, de política. Escritos porque posso ler e reler.
      Acompanho Vídeos de Política e de Literatura. Aprendo com eles.
      Meu Blog comecei em 2005 e desde então, escrevo sempre.
      Aprendo alguma coisa todos dia, com tudo que vejo e que leio. Beijo,

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  4. Bom dia de Paz , querida amiga Fernanda!
    Havia lido seu precioso texto antes do anterior que não havia ainda comentado.
    As estrelas de lá clarearam meu dia que ainda está amanhecendo...

    Peguei munha cadeira e cá estou...
    Você nos passa a sensação, toda vez que nos comenta, que realmente faz o que aqui escreveu...
    Quem fala do que vive convence.
    O contrário também existe, não convence, mas vamos levando.
    Deixo aqui meu afeto por todo afeto que me dedica em cada palavra.
    Há pessoas que nos comenta por mil... você é uma delas.
    Agora, que já descansei aqui meu corpo do sono da noite, vou me levantar e viver um lindo dia.
    Ganhei ânimo para ler e comentar mais tarde.
    Muito obrigada por nos deixar não só palavras...
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Beijinhos fraternos
    P.S. Guardei minha cadeira. Estava puxada só para você.

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    1. Roselia, querida amiga,

      que alegria sentir esse amanhecer chegando pelas suas palavras… quase vejo a luz entrando devagarzinho, clareada pelas estrelas que você guardou do texto anterior. É tão bonito esse seu gesto de “pegar a cadeira” e vir como quem se aproxima de um quintal iluminado pelo afeto.

      Fico profundamente tocada por você dizer que sente verdade no que escrevo e no que comentam minhas mãos. Eu realmente acredito que só convence quem vive, quem respira junto, quem se permite sentir. E você, com esse coração sempre aberto, percebe isso com uma doçura rara.

      Obrigada pelo carinho que me dedica, por esse jeito de me receber como se eu fosse visita querida que chega devagar e encontra lugar à mesa. Você transforma o simples ato de comentar em um encontro de almas desses que aquecem o dia antes mesmo de ele começar.

      Que sua semana seja tão abençoada quanto a luz que você espalha.
      Beijinhos fraternos, com toda a minha gratidão.

      P.S.: Senti daqui a cadeira puxada 🥰e me sentei com alegria.😘

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  5. Admiro esse seu gesto, mas eu não tenho tal ritual. Especialmente, não gosto de comentar poesias - comento, mas não gosto, exatamente por elas exigirem uma análise mais profunda do texto. Geralmente, sou sucinto, gosto de dizer muito escrevendo pouco. Ou só escrevendo pouco dizendo pouco mesmo...
    Mas sim, há textos e textos. Alguns me despertam essa necessidade de mais imersão.

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    1. Eduardo,

      eu entendo perfeitamente cada um tem seu jeito de se aproximar das palavras. E isso também é bonito. Há quem goste de mergulhar fundo, há quem prefira só molhar os pés, e há quem caminhe pela beira observando o movimento da água. Tudo é legítimo.

      Gosto da sua sinceridade ao dizer que nem sempre aprecia comentar poesia; ela realmente pede outro tipo de atenção, outro tipo de silêncio até. E essa sua forma sucinta, tão própria, tem sua força às vezes poucas palavras dizem exatamente o que precisa ser dito.

      E é verdade: há textos que pedem mais de nós. Eles puxam a gente pela gola, fazem a gente parar, respirar e entrar. Quando isso acontece com você por aqui, fico feliz significa que algo tocou, mesmo que discretamente.

      Obrigada pela presença e pela honestidade do seu olhar.😘🙏🏻

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  6. É isso o que sinto quando visito os meus Amigos, é como se estivesse sentada a seu lado, conversando sobre o assunto; leio, penso, volto a ler e deixo que o meu coração dite as palavras surgidas da interpretação que tirei dos textos que comigo partilham. Além de considerar que a mensagem me enriquece, tenho a consciência de que, agindo assim, estou a acarinhar os meus Amigos, que tiveram a delicadeza de partilhar connosco as suas experiências, os seu lamentos, as suas preocupações com certos factos da vida. É uma questão de respeito pelo outro. Amiga, obrigada por chamares a atenção a muitos que não
    entendem o significado da palavra comentar; não significa " dizer ". Mas, sim, conversar, dar opinião, enfim...escutar o outro na forma de uma leitura
    Beijinhos 🌻 🌻
    Emilia

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    1. Emília, querida,

      que coisa mais bonita ler o que você descreve essa sensação de se sentar ao lado, de fazer da leitura uma conversa mansa, quase um café partilhado entre amigas. É exatamente assim que eu sinto também: comentar não é lançar palavras ao vento, mas acolher o que o outro confiou à página.

      E você faz isso com uma delicadeza rara. Esse seu gesto de ler, pensar, voltar a ler e deixar o coração conduzir é uma forma de respeito e também de amor. Porque quem escreve entrega um pedaço de si, e quem comenta com verdade devolve cuidado.

      Fico imensamente feliz que meu texto tenha tocado você dessa maneira. E concordo: comentar não é apenas “dizer”, é escutar com os olhos, com a atenção e com a alma.

      Obrigada, amiga, pela profundidade do seu olhar e pela ternura que espalha.
      Beijinhos 😘

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  7. Me gusta cómo piensas, y lo que dices, querida Fernanda. Porque para ir a los blogs se necesita tiempo para leer y para comentar. Y no se puede hacer a la ligera. Enseguida se nota quiénes lo hacen por cumplir. Y quiénes profundizan en lo que leen. Y estoy de acuerdo contigo. Me gusta dialogar. Dejar mi opinión. Y escribir lo que siento cuando he leído un texto. Es como si estuvieras charlando con esa amiga sentada tomando un café. En este caso estoy tomando un té.

    Y aunque no es lo mismo comentar unas entradas que otras, porque por ejemplo una poesía, puede ser un comentario breve, o un vídeo que hayas escuchando igualmente. Pero cuando se trata de una reflexión, como las que haces tú, me gusta profundizar y dar mi opinión.

    La semana pasada estuve casi toda ausente, y no pude visitar ningún blog. Y hoy que tengo tiempo, me acerco a leeros y comentar porque me encanta charlar con vosotros. Igualmente, desde mi blog, cuando respondo los comentarios, me encanta dialogar y que se sienta la cercanía.

    Gracias por tu cercanía, Fernanda, siempre me voy feliz estando aquí un ratito leyéndote y comentándote.

    Que tengas una feliz tarde.

    Besos enormes.

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    1. María, querida,

      que alegria te ler e que verdade há em cada palavra tua. Também penso assim: visitar um blog é entrar na casa de alguém. Requer tempo, presença, um pequeno silêncio interior para realmente escutar o que foi dito. E como você bem observou, percebe-se rapidamente quem comenta por cumprir e quem se deixa tocar antes de responder.

      Gosto muito dessa imagem de conversar como quem divide um café ou, no seu caso agora, um chá. Porque é exatamente isso que sinto quando leio teus comentários: uma conversa mansa, com afeto, onde cada frase chega com cuidado e sinceridade.

      E é tão bonito o que dizes sobre cada tipo de texto pedir um tipo diferente de resposta. Às vezes um poema pede só um sopro; outras vezes, uma reflexão nos convida a sentar mais tempo, a pensar junto, a abrir o coração. Isso você faz com uma sensibilidade luminosa.

      Fico feliz que tenhas voltado depois de dias ausente e mais feliz ainda por saber que aqui te sentes bem, acolhida, em casa. A proximidade que mencionas é recíproca, María. Sempre fico mais leve quando te leio.

      Que tua tarde seja serena e cheia dessa ternura que você semeia.😘🙏🏻

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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)