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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

11 janeiro, 2026

Rendez-vous com o Infinito

Aleatoriamente um toque de poesia


Nas horas em que o silêncio floresce, 
ensaiamos o gesto de entrelaçar  mãos, 
destinos, ideias, respiração 
nesta vida que pulsa entre o que se pode
abstrato e o sagrado.

Nosso mundo não cabe em reptresentações,
é feito de comunhão caminho,
de harmonia em pequenos gestos, 
de um olhar que sabe, de um sentir que ultrapassa o verbo.

É transcendente esse encontro,
como estrelas que se reconhecem na imensidão,
como se o universo nos chamasse a um rendez-vous marcado antes do tempo.

Elevamos os corações ao que não se explica,
deixamos cair as máscaras do medo, 
e ali, entre o céu e a terra, 
tecemos a eternidade de um instante.



Fernanda

As mãos vazias de George Müller

Aleatoriamente um toque de poesia



Não sei se foi o vento ou a oração. Mas algo se movia naquela casa onde moravam tantas crianças e um homem que teimava em crer. George Müller não tinha posses. Não tinha grandes influências. Mas tinha fé daquela que constrange, da que não grita, só espera.

Dizem que, certa manhã, as prateleiras estavam vazias. Nada de pão. Nada de leite. Nada de promessas no correio. As crianças já se alinhavam nas mesas como quem confia no que não pode tocar com os olhos e Müller, como fazia todas as manhãs, orou.

“Obrigado pelo alimento que o Senhor nos dará.”

Foi só depois disso que bateram à porta. Primeiro o padeiro que não conseguia dormir e decidiu levar pães para o orfanato. Depois, o leiteiro cuja carroça quebrou bem em frente ao portão e precisava esvaziar os litros antes que estragassem.

E o milagre, mais uma vez, veio sem anúncio. Sem estardalhaço. Como quem respeita o silêncio da fé.

Fico pensando nas mãos de Müller. Sempre abertas. Sempre vazias. Sempre disponíveis para receber não por comodismo, mas por confiança. E me pergunto: em que ponto foi que a gente desaprendeu a depender de Deus?

Hoje, queremos segurança antes da entrega. Queremos  bússula  antes de caminhar. Queremos garantias antes de amar. Müller nos lembra que é possível viver diferente: acordar sem saber de onde virá o sustento, mas ainda assim colocar a mesa. E agradecer.

É raro alguém assim. Que confia tanto a ponto de cuidar de outros. Que crê tanto a ponto de alimentar. Que ora, não para pedir, mas para abrir espaço.

George Müller não fundou apenas orfanatos. Ele fundou uma fé que se pratica com gesto. E nos deixou um recado simples, quase esquecido:

É possível viver de joelhos.
E ainda assim caminhar com dignidade.




Fernanda
O texto nos lembra que a fé verdadeira se expressa em gestos. George Müller não fundou apenas orfanatos; fundou um modo de viver em que oração e ação caminham juntas. Uma fé que se ajoelha, mas não se apequena. Que confia, cuida e segue com dignidade.

Bom Domingo!

09 janeiro, 2026

Cada nação na sua pátria

Aleatoriamente um toque de poesia


Às vezes penso que o mundo inteiro cabe dentro de uma rua de bairro. Ali estão as janelas abertas com cheiros diferentes: do feijão que ferve devagar, do tempero que chega de outro continente, do pão quentinho que alguém aprendeu com a avó distante. Cada casa é um pequeno território, uma bandeira tremulando na varanda.

Cada nação traz em si sua pátria, ainda que o corpo viaje, que o passaporte acumule carimbos e que o idioma se embarace na boca. A pátria, afinal, não se esconde nos limites de um mapa: ela se guarda no coração. É o canto que a mãe cantava para ninar, é a saudade do quintal, é o jeito de cumprimentar que nos denuncia em qualquer lugar do mundo.

E o curioso é que, no fundo, nenhuma nação existe sozinha. Quando se encontram, misturam-se como rios que se abraçam. A pátria de um acaba tingindo a pátria do outro, e assim nascem os sabores novos, as músicas que não respeitam fronteiras, os afetos que se aprendem sem tradução.

Cada nação na sua pátria, mas cada pátria no coração do outro porque viver é, de algum modo, trocar territórios. Quando amamos, quando acolhemos, quando escutamos com atenção, permitimos que outra bandeira se plante em nosso peito.

No fim das contas, a maior pátria é o mundo inteiro, se estivermos dispostos a abrir as portas da casa e deixar o vento de outras janelas nos visitar.

No entanto, há as discriminações, quando se trata de emigrantes. O olhar desconfiado, a fronteira que se impõe, a barreira da língua que não raro se transforma em muro. É preciso olhar pertinho da trajetória de cada um para compreender o que significam as leis de cada lugar: normas que protegem, mas também afastam; regras que, em vez de abrir caminhos, fecham portas.

Ainda assim, mesmo diante das diferenças e feridas, há algo que não se apaga: o amor pela pátria onde nascemos. No meu caso, o Brasil terra de contrastes, cores, dores e esperanças. É aqui que Deus me deu a oportunidade de nascer, e por isso, apesar de todas as falhas e desafios, guardo um amor entranhado, visceral.

Amo o som das vozes nas esquinas, amo a generosidade que se revela em pequenos gestos, amo a mistura de tantas origens que se tornaram uma só identidade. Amo, sobretudo, a esperança que insiste em brotar em cada brasileiro, mesmo quando as tempestades parecem querer arrancar as raízes.

Porque, no fundo, cada pátria é também um exercício de fé. E a minha fé é que o Brasil, com todos os seus nós e rasgos, ainda é chão fértil para que se plante amor, justiça e paz.



Fernanda

Minhas avós

Aleatoriamente um toque de poesia



Eu sempre pensei, desde criança, que ter uma família é o presente mais bonito da vida. Há quem deseje riquezas, conquistas, viagens mas eu sempre desejei vínculos. É como se eu nunca tivesse nascido sem berço. É ter raiz, colo e história.

As vovós.
Parece que elas sempre estiveram ali com, seus passos lentos e suas vozes carregadas de sabedoria antiga. Uma reza baixinha antes de dormir, um conselho que chega em forma de carinho, um olhar que acolhe mesmo quando não entende tudo. As avós são o coração pulsando mais devagar para ensinar à gente a não ter pressa.

A vida, generosa e exigente, dá lições de belezas e de aprendizados. E eu aprendi o valor de ter uma família que se estende, se mistura, se multiplica no amor. Algumas bisas vieram com o casamento, outras com o querer de amparar e todas foram bem-vindas. Porque laço de afeto não precisa vir do sangue. Ele nasce do cuidado, da presença, do simples gesto de estar ali quando o outro precisa.

Muitos acham absurdo cuidar dos idosos que não são “de sangue” e até os que são. Acham que o amor tem fronteira, que o coração precisa de assinatura em cartório. Mas quem ama de verdade sabe: o cuidado não é obrigação, é resposta. É o retorno natural de quem já entendeu o valor da vida em suas formas mais delicadas.

Cuidar de um idoso é cuidar da história que veio antes de nós. É honrar os caminhos trilhados, as lutas vencidas, as rugas que o tempo desenhou com paciência. É saber que, no fundo, todos nós caminhamos para o mesmo lugar e que um dia, se for da vontade de Deus, também seremos idosos, esperando o mesmo tipo de ternura que hoje oferecemos.

Nem todos valorizam o que Deus lhes deu. Alguns tratam o idoso como peso, quando na verdade são alicerce. Eu nunca vi trabalho no cuidado, vi apenas troca de amor, de experiência, de aprendizado. E talvez seja isso o que mais me comove: perceber que a velhice não é o fim, é um novo começo para quem aprende a enxergar com o coração.

Minhas avós me ensinaram a orar antes de agir, a esperar antes de julgar e a agradecer antes de pedir.
Com elas, entendi que família não é só laço de sangue é laço de alma.

E é por isso que, quando olho pra cada uma delas, penso:
a vida pode me levar por muitos caminhos, mas o meu berço será sempre o colo delas também
macio, firme, cheio de amor.



 Fernanda

PS: Recebi um carinho daqui. 


Nossa amiga Roselia partilhou um poema meu, e o coração ficou em silêncio agradecido.
Obrigada, querida, pela delicadeza do gesto, pelo olhar atento e pela generosidade de me acolher.
 É uma honra imensa estar entre tantos nomes queridos no teu cantinho poético, esse espaço onde a palavra floresce em afeto e respeito.
Que a poesia continue sendo esse fio que nos une, atravessa distâncias e faz morada na alma.
Com gratidão e ternura,🙏🏻😍

08 janeiro, 2026

Um Moisés interior

Aleatoriamente um toque de poesia


Imagino a cena.
O povo dividido, o deserto como testemunha,
o coração sendo disputado entre o que brilha e o que liberta.
No meio daquela desordem, vozes, poeira, desânimo 
Moisés se ergue e diz:
Aquele que for de Deus, venha até mim.

Não é uma frase de orgulho.
Não é convite para perfeitos.
É chamado para quem, mesmo tropeçando,
ainda deseja caminhar na direção da Luz.

Porque ser “de Deus” não é nunca errar.
É reconhecer quando o caminho entortou,
quando o bezerro de ouro tomou lugar demais,
quando o barulho do mundo ensurdeceu as orações.
Ser de Deus é ter saudade d’Ele.

E então, diante de toda a desordem, a voz repete:
Se você ainda o busca, se ainda tem sede, se ainda quer tentar venha.
Com suas dúvidas, com seus cacos, com os bolsos vazios.
Não é sobre trazer oferendas impecáveis.
É sobre trazer o coração.

Eu penso que essa frase atravessa os séculos
porque continua acontecendo hoje.
Não na montanha, não no deserto literal,
mas dentro de nós.
Todo dia tem um Moisés interior dizendo:
Aquele que for de Deus, venha até mim.
E esse “mim” às vezes é a oração que esquecemos,
às vezes é o perdão que evitamos,
às vezes é a coragem de recomeçar.

Deus não seleciona santos prontos
Ele chama quem ainda está aprendendo a amar.
Chama imperfeitos.
Chama cansados.
Chama quem está segurando o pouco que sobrou e ainda assim diz:
“Eu quero tentar.”

Talvez, então, o convite seja assim:
Se teu coração ainda pulsa esperança, mesmo pequena,
vem. Se teu peito ainda deseja verdade, mesmo tímida,
vem. Se tua alma ainda sabe que existe uma origem, um lar, um sentido,
mesmo sem conseguir explicar vem.

Aquele que for de Deus, venha até mim.
Não porque somos dignos, mas porque Ele nos quer.
E o querer de Deus é direção.
É caminho.
É milagre possível.

Com fé e delicadeza,
Fernanda

Obs.: Não sou evangélica, e nem estou tentando converter ninguém.
É só o que meu coração quis escrever  e eu, assim fiz. 
Porque amo falar de Deus