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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

27 janeiro, 2026

Ele diz que sou linda

Aleatoriamente um toque de poesia


Ele diz que sou linda
como quem não exagera,
como quem enxerga
além do espelho e do dia.

Diz que sou toda poesia,
e não fala apenas da forma,
mas do jeito que sinto,
do modo como silencio
quando a alma fala mais alto.

Quando ele diz,
não me enfeita 
me reconhece.
E isso toca lugares
que o elogio comum não alcança.

Sou linda, ele diz,
nos dias claros
e nos desalinhados,
quando o riso falha
e o cansaço pesa.

Sou poesia inteira,
mesmo com versos tortos,
mesmo com pausas longas,
mesmo quando não sei rimar
meus próprios sentimentos.

Ele diz.
E pela primeira vez,
acredito
sem pedir confirmação ao mundo.
Porque sinto a verdade de seu coração.



Fernanda

26 janeiro, 2026

Quando a mesa sente falta de gente

Aleatoriamente um toque de poesia




Fomos almoçar só nós. E bastou sentar à mesa para as crianças perceberem o vazio que não era de comida, era de gente. Clarinha, com aquela lucidez que só adolescente  tem, soltou:
As vovós fazem uma falta, né mãe?

Eu sorri por fora e engoli um nó por dentro. Respondi:
Muita, filha. Mas quarta à noite já estaremos juntas.

É curioso como a família deixa marcas até no silêncio da cadeira vazia. A casa muda de som, o almoço perde um pouco do tempero que só o afeto coloca.

André comentou como é gostoso estarmos juntos. Disse com aquele jeito simples, mas cheio de verdade. E eu entendi. Porque junto a gente se lembra de existir. Sozinha, às vezes eu entro nesse modo automático: faço, resolvo, corro… e esqueço até de comer. Ou de olhar pra quem está ao lado.

Ele se preocupa com isso. Comigo. Com esse meu jeito de mergulhar no que faço e esquecer do corpo, da fome, das pausas. Amor também é isso: alguém que te puxa de volta pro presente.

Ficamos um pouco mais. Rimos, conversamos, respiramos família. Depois, levantei e voltei pro curso. Porque a vida também chama. Mas fui diferente. Fui carregando aquela lembrança boa do almoço incompleto, porém cheio de sentido.
Falamos com a família no DF 
E tá tudo certo.

Às vezes não dá pra ter todo mundo junto.
Mas quando tem amor na mesa, até a ausência vira saudade boa.

Fernanda

25 janeiro, 2026

Voando de novo

Aleatoriamente um toque de poesia

Uma vez por mês eu viro mala, café forte nos “botecos” do aeroporto e também coragem😌.
São Paulo me espera com seus prédios apressados e salas cheias de futuros possíveis. Vou, fico três dias, e volto. E nesse vai-e-volta mensal, descubro que não é só uma especialização que estou cursando é também um aprofundamento no amor.

André e as crianças vão junto, sempre no mesmo propósito: me sustentar por dentro. André cuida de mim como quem ajeita travesseiro em madrugada febril. Confere horários, separa documentos, lembra da água, do casaco, do remédio esquecido. E eu, boba, fico. Boba de amor, de gratidão, de espanto bom. Porque ainda me surpreendo quando alguém escolhe cuidar sem fazer barulho.

Enquanto eu estudo, eles me esperam. Enquanto eu corro atrás dos meus sonhos, eles seguram o mundo para mim não tropeçar. E quando volto, cansada, cheia de anotações e pensamentos, volto também mais inteira, porque sei que tenho um lar que me recolhe.

Obrigada, meu amor, por tanto carinho. Por caminhar comigo mesmo quando o caminho não é seu. Por ser abrigo em meio à rotina. Por transformar essa especialização em uma jornada leve, feita não só de conhecimento, mas de afeto.

E assim seguimos: uma mala por mês, um amor todos os dias.


 Fernanda

23 janeiro, 2026

"Tira as sandálias... o chão que pisas é sagrado"

Aleatoriamente um toque de poesia
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O nome dele é José Carlos, mas eu sempre o chamo Eros. Ele? É daqui deste cantinho   https://erosdepassagem.blogspot.com/
E talvez seja por isso mesmo que seus gestos sempre cheguem carregados de afeto. No dia 19/01, chegou este livro: 

que ele me enviou de presente. Meu pai recebeu, me ligou avisando, e naquele instante senti aquela alegria mansa que só quem ama livros entende.

Eu adoro livros. E este, em especial, eu li degustando cada página, sem pressa, deixando as palavras repousarem em mim, como quem conversa em silêncio com o autor e consigo mesma.

Obrigada, querido Eros, pelo carinho de sempre, pela lembrança delicada, pelo cuidado em transformar um gesto simples em algo tão significativo. Amei. E é tão bom saber que ainda existem amizades assim: raras, gentis, presentes mesmo na distância.

Que bonito é perceber que, além das histórias que lemos, também somos feitos dessas pequenas histórias de afeto que a vida escreve para nós. Obrigada meu amigo querido! 
Amei o livro!


RESENHA



“Tira as sandálias… O chão que pisas é sagrado”
Raimundo Nonato dos Santos Pereira | Editora Quarteto


Este livro nasce de um versículo conhecido (Êxodo 3:5), mas não se limita à repetição do texto bíblico. Ele convida o leitor a uma experiência interior: a de aprender a reconhecer o sagrado nos pequenos instantes da vida cotidiana.

Raimundo Nonato constrói a obra com linguagem simples, acessível e profundamente sensível. Ao longo das páginas, o autor conduz o leitor a refletir sobre humildade, reverência, silêncio interior e presença de Deus não como algo distante, mas como realidade viva que se manifesta nos encontros, nas dores, nas escolhas e nos recomeços.

Um dos pontos mais fortes do livro é sua proposta de desacelerar. “Tirar as sandálias” aqui não é apenas um gesto simbólico de Moisés diante da sarça ardente; é um chamado para despir-se do orgulho, da pressa, da rigidez emocional e das certezas absolutas. O autor insiste, com delicadeza, que só reconhece o sagrado aquele que aprende a caminhar com mais escuta do que palavras.

A narrativa alterna reflexões espirituais, interpretações bíblicas e aplicações práticas, o que torna a leitura acolhedora tanto para quem já vive uma caminhada de fé quanto para quem está em busca de sentido. Não há tom de imposição religiosa, mas sim de convite: um convite ao recolhimento, à introspecção e à reconciliação consigo mesmo.

Outro mérito da obra está na sua dimensão pedagógica espiritual. O texto provoca o leitor a rever posturas internas: como lidamos com o sofrimento, com o perdão, com o outro e com Deus. Cada capítulo funciona como uma pequena pausa para oração silenciosa, mesmo quando o livro não fala explicitamente em oração.

Em síntese, Tira as sandálias… O chão que pisas é sagrado é uma leitura que não busca impressionar pela erudição, mas tocar pela verdade simples do Evangelho vivido. É um livro para ser lido devagar, sublinhado, relido e, sobretudo, praticado.

Uma obra que nos lembra, com suavidade, que há lugares sagrados que não estão no mapa estão dentro de nós.

Gratidão por você ter lembrado de mim

Fernanda






Primeiro dia entre: alteres, cabelos, curiosidades e o amor que veio me buscar

Aleatoriamente um toque de poesia


Arrumei um tempo. Sim, arrumei. Porque tempo, não se acha perdido no bolso da calça como
Diz meu Papai, a gente espreme a agenda, empurra compromissos, negocia com o cansaço e diz: agora vai. E fui. Voltei à academia como quem retorna a um território conhecido, mas com o corpo fazendo cara de turista.

Ontem fiz a avaliação. Aquele momento solene em que a balança te encara com sinceridade demais e o profissional fala palavras técnicas enquanto você só pensa: “Senhor, tende piedade dos meus músculos adormecidos”. Eu concordava com a cabeça, pensando: agora fitness, 😉enquanto minhas pernas já planejavam uma greve silenciosa.

Depois vieram os exercícios. E junto deles, o verdadeiro treino do dia: o social.

Porque mal comecei a mexer nos aparelhos e brotou gente solidária de todo lado. Uma apontava: Assim não, amiga. Outro vinha ajustar o banco. Um senhor fazia sinal de positivo de longe, como se eu estivesse representando a nação dos sedentários em reabilitação.😂

Em poucos minutos, rapazes e meninas me fecharam num verdadeiro cerco de perguntas. Eu no meio, segurando um halter, respirando fundo e respondendo tudo ao mesmo tempo: de onde eu vinha, há quanto tempo não treinava, se estava gostando, se voltaria no dia seguinte porque iria estar cansada, mas não era para desistir 😥 

No meio disso tudo, ainda teve o momento celebridade. Duas meninas se aproximaram, olharam meu cabelo com aquela curiosidade respeitosa e perguntaram, quase em coro:

É seu mesmo?

Meu treino parou ali. Não por cansaço muscular, mas por gargalhada interna. Sim, era meu. Não alugado. Não emprestado. Meu. Com raiz, história, volume e rebeldia inclusas no pacote.😜

E então surgiu um rapaz.
Simpático demais para passar despercebido. Educado demais para ignorar. Se ofereceu para ajudar em um aparelho, explicou o movimento, ficou por perto mais tempo do que o necessário. Perguntou meu nome, elogiou minha determinação, comentou do meu sorriso. E eu já desconfiada 😐 

Eu ajudando o braço a subir o peso e a consciência dizendo: hora de ir para o outro aparelho.

Enquanto isso, André começou a nascer dentro do meu pensamento. Eu conseguia imaginá-lo chegando ali: o olhar atento, o “ciúme” manso, aquela proteção silenciosa que ele tenta esconder, mas que sempre aparece.

E não demorou.

Quando terminei a última série que na verdade foi interrompida por mais uma rodada de conversa vi André entrando pela porta da academia. Ele veio me buscar. Veio com aquele jeito tranquilo, mas observador. Olhou em volta. Me viu cercada. Viu o rapaz ainda perto. E respirou fundo antes de sorrir.

Chegou perto de mim, passou o braço de leve pela minha cintura e disse baixo, com carinho:

Amor, já terminou?

Naquele “amor” tinha afeto, território marcado e uma delicadeza ciumenta que só quem ama sabe fazer.

O rapaz se despediu rapidamente. As meninas sorriram cúmplices. E eu senti aquele calor bom no peito de quem é escolhida todos os dias.

No caminho para casa, André ficou em silêncio por alguns segundos. Depois falou, com voz mansa:

Fiquei pensando… amor, você fica toda cansada, cheia de gente em volta… Se quiser, a gente pode montar um cantinho pra treinar em casa. Eu compro os aparelhos. A gente treina junto. Eu te ajudo.

Eu olhei pra ele e sorri. Não pelo "ciúme". Mas pelo cuidado escondido dentro da proposta. Não era sobre pesos. Era sobre presença.

Saí da academia suada, dolorida e estranhamente feliz. Porque voltei não só a movimentar o corpo, mas a movimentar afetos. Entre halteres, cabelos, perguntas e olhares, percebi que recomeçar também é isso: escolher cuidar de si sem perder quem caminha ao seu lado.

E amanhã tem mais.

Se os músculos deixarem.
Se o salão permitir.
Ou se a nossa sala virar academia improvisada.




Fernanda

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