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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

08 fevereiro, 2026

De costas, mas inteira

Aleatoriamente um toque de poesia




Há docilidade no gesto simples de prender o cabelo, como quem se prepara com cuidado para mais um dia de entrega. Esse coque baixo não é vaidade, é organização da aparência e do afeto antes de entrar no mundo do outro com respeito e responsabilidade.

Na medicina que exerço, aprendi que profissionalismo não é frieza. É presença serena. É saber ouvir sem pressa, tocar com delicadeza, falar com verdade e silêncio quando ele é necessário. O intervalo capturado na imagem é esse: o momento em que respiro fundo antes de ser médica, mas também mulher.

Sou mãe, e isso me ensinou a reconhecer dores que não se dizem. A entender o choro contido, o medo disfarçado, a fragilidade que pede colo antes de pedir remédio. Sou esposa, e aprendi o valor da parceria, do cuidado mútuo, da construção diária. Sou filha, e carrego em mim o aprendizado do respeito, da gratidão e da escuta. Sou amiga, e sei que, muitas vezes, estar é mais importante do que resolver.

Tudo isso entra comigo no consultório. Não deixo essas partes do lado de fora. Elas me tornam uma médica mais atenta, mais humana, mais inteira. A corrente fina nas costas, o vestido claro, a postura contida nada é acaso. Há delicadeza até na forma de sustentar o peso que a profissão impõe.

De costas, talvez eu diga sem palavras que não preciso ocupar o centro. Na medicina que escolhi viver, o centro é sempre o outro. Eu sou caminho, apoio, presença firme e gentil.

Essa fotografia não mostra minhas mãos, mas elas existem ali: cuidadosas, seguras, disponíveis. Mãos de médica, de mãe, de esposa, de filha, de amiga. Mãos que sabem que cuidar é um ato profissional, mas também profundamente amoroso.

Assim: discreta, comprometida, doce sem perder a força. Inteira, principalmente quando ninguém está olhando.

Ontem fiquei dez horas de pé. Não parei para almoçar, o café foi rápido, tomado quase sem perceber, sem tempo de sentar. O corpo reclamou em silêncio, como quem já aprendeu a esperar. As pernas pesavam, as costas pediam pausa, mas o coração seguia atento porque sempre havia alguém precisando mais naquele momento.

Houve cansaço, sim. Houve vontade de parar. Mas também houve propósito. Em cada atendimento, lembrei por que escolhi esse caminho. Porque ser médica, para mim, nunca foi só profissão; é um compromisso que atravessa o relógio, o corpo e, às vezes, até a fome.

Enquanto eu permanecia de pé, pensei nos meus. Nos filhos, no esposo, nos pais, nos amigos. Pensei em como todos eles vivem em mim, mesmo quando estou ausente fisicamente. É deles que tiro a doçura que não pode faltar, mesmo nos dias duros. É por eles que sigo com cuidado, tentando não endurecer o olhar nem apressar a escuta.

No fim do dia, exausta, percebi que ainda assim havia em mim uma calma estranha aquela que nasce quando sabemos que fizemos o melhor possível com o que tínhamos. Nem sempre dá tempo de cuidar de mim como eu gostaria, mas sigo aprendendo que também preciso me incluir na lista dos que merecem atenção.

Ser inteira é isso: sustentar o trabalho com profissionalismo, sem perder a ternura; ser forte sem deixar de ser suave; cuidar do outro, mas lembrar, aos poucos, de me cuidar também. Porque amanhã é domingo, mais uma vez, estarei ali de pé, presente, humana.



Fernanda

PS: Um domingo cheio paz! 
Quando tiver um tempinho visito vocês😉

06 fevereiro, 2026

Hoje

Aleatoriamente um toque de poesia



Que o amanhecer de hoje te lembre que a vida é feita de momentos simples e cheios de sentido.
O sol não nasce fazendo alarde. Ele chega devagar, tocando as coisas com delicadeza, como quem ensina que não é preciso pressa para iluminar. Há beleza num cafezinho antes de retornar ao trabalho, no pensamento breve que passa e fica.

A vida acontece nesses instantes quase: no respirar consciente, no olhar que agradece, na esperança que insiste mesmo depois de dias difíceis. Não são os grandes acontecimentos que sustentam a alma, mas esses pequenos gestos que nos mantêm de pé.

Que hoje você perceba o valor do que é simples. Que acolha o agora sem tanta exigência. E que entenda, com o coração tranquilo, que há muito sentido vivendo exatamente onde você está.



Fernanda

04 fevereiro, 2026

Nomear o Céu

Aleatoriamente um toque de poesia




Tuas mãos desenham auroras
sobre o silêncio do meu peito,
e fazes-te estrela
no instante exato em que o mundo desacelera.
No dorso da brisa deixo meu nome escorrer
para que a noite querida o recolha
como quem guarda um segredo antigo.

Há em nós uma ondulação de promessas,
montanhas erguidas não de pedra,
mas de coragem.
Sou sôfrega por horizontes onde teu olhar habita,
e por isso caminho 
não por pressa,
mas por destino.

Cada passo vira senda,
cada escolha vira trilha,
e quando o medo me visita,
digo a mim mesma: olha em volta,
o amor também sabe ser paisagem.

Escrevo o soneto do teu nome no vento,
e ele responde em aconchego.
Da tua presença nasce paz,
da tua ausência nasce saudade,
e entre ambas floresce plenitude.

Teu amor é flamejante sem ruído,
arde como farol em noite de neblina.
Neste vasto mundo,
teu encanto é abrigo,
sem máculas,
feito água clara que não negocia sua pureza.

Meu sentimento não pede posse,
pede permanência.
Meu porvir tem tua sombra caminhando ao lado,
meu desejo é te conhecer
não apenas nos dias claros,
mas também nas horas em que o céu pesa.

Quando chega a madrugada,
o peito explode em delicadeza,
e na cauda de um cometa lanço promessas
para que o infinito as aprenda.

Somos junção de silêncios que se entendem,
paixão que não grita 
sussurra eternidades.

E se o tempo tentar nos apagar,
que reste ao menos isto:
dois corações insistindo em amar
mesmo quando o mundo esquece como se faz


Fernanda

Estar contigo

Aleatoriamente um toque de poesia




Estar contigo é descanso e vertigem ao mesmo tempo. 
É casa e estrada. É silêncio que entende e palavra que abraça.
Quando você chega, o dia aprende a ser mais leve.
O mundo diminui o barulho e o coração aumenta o espaço.
Tudo fica mais simples, mais possível, mais verdadeiro.
Não é sobre promessas grandiosas. É sobre ficar. 
Sobre cuidar. Sobre escolher, todos os dias, esse nós que nasce pequeno e cresce feito luz mansa.
Estar contigo é isso: não precisar voar para tocar o céu.



Fernanda

03 fevereiro, 2026

Paixão Infinita

Aleatoriamente um toque de poesia
Soneto 



Tuas mãos, no dorso da brisa, fazem-te estrela,
Na noite querida o encanto aprende a florir;
Ondulação das montanhas, sôfrega por te sentir,
Meu caminho vira senda, trilha que o amor revela.

Olha em volta: o mundo explode em chama bela,
Na madrugada escrevo o porvir do existir;
Aconchego, paz, plenitude vêm me conduzir,
Sentimento sem máculas que a alma sela.

Flamejante paixão faz junção do infinito,
Na cauda de um cometa aprendo a conhecer,
E o soneto do tempo canta teu nome bendito.

Entre céu e terra escolho contigo viver:
Pois amar-te é destino jamais restrito,
É eternamente partir e sempre voltar a ser.




Fernanda

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