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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

15 janeiro, 2026

Conexões possíveis

Aleatoriamente um toque de poesia




A internet por aqui anda quase escassa.
Na rua onde moro, ela simplesmente está… paradisíaca, existem mais na promessa do que na prática. Então é bom para trabalhar a paciência hahaha😜
Estou tendo acesso no trabalho, mas não posso blogar daqui 👍
Então os comentários seguem de pouquinho, apenas na hora do cafezinho, entre um gole e outro, como quem escreve à margem do tempo.

Se não chegar a todos, já sabem o motivo.
Não é falta de vontade, é falta de conexão mesmo dessas bem concretas.

Sabem? 
No fundo, a vida também funciona assim: nem sempre estamos disponíveis como gostaríamos, mas seguimos presentes do jeito que dá. E quando a conexão voltar, o afeto continua lá, intacto, esperando.


Beijinho a todos 
Fernanda

14 janeiro, 2026

Toda obra de arte carrega algo do seu autor.

Aleatoriamente um toque de poesia



Há quem procure Deus nas alturas,
há quem o busque nos livros,
há quem espere um sinal escrito no céu.

Eu aprendi a reconhecê-Lo em silêncio,
no que pulsa, cresce e insiste em viver.

Dizem que o nosso DNA é código,
sequência, combinação de letras químicas.
E é.
Mas para quem olha com os olhos da fé,
ele é também mensagem.

Não uma palavra escrita para ser lida,
mas uma intenção gravada para ser sentida.

Toda obra de arte carrega algo do seu autor.
O traço, a escolha, o cuidado,
até o modo como a luz repousa sobre a forma.
E se somos obra divina,
como não carregaríamos também essa assinatura?

Talvez o nome de Deus não esteja escrito
como os nomes humanos se escrevem.
Talvez esteja inscrito no “eu sou”
que habita cada célula viva.
No milagre da multiplicação de uma vida.
Na ordem que nasce desorganização.
Na beleza que sobrevive mesmo na fragilidade.

O DNA, esse livro microscópico,
não pronuncia letras sagradas,
mas revela uma inteligência amorosa
que organiza, sustenta e renova.
Para a ciência, é estrutura.
Para a fé, é testemunho.

Deus não precisou gravar Seu nome
para ser reconhecido.
Ele se assinou no ato de criar,
no sopro que anima,
no mistério que nenhuma lâmina consegue cortar,
nem nenhum microscópio esgotar.

Crer nisso não é negar a ciência.
É permitir que ela seja construção,
não muro.
É aceitar que existem verdades
que não cabem apenas nos olhos,
mas florescem no coração.

E assim sigo crendo:
não levo o nome de Deus escrito em letras,
mas carrego Sua assinatura em vida.
E isso, para mim, é suficiente.
Obrigada Pai!


Fernanda

13 janeiro, 2026

Fases

Aleatoriamente um toque de poesia




A vida não muda de uma vez. Ela muda de fase.
E a gente vai se adaptando a elas, quase sempre sem perceber.

Tem fase de pressa, em que tudo é urgente e o coração vive atrasado. Fase de espera, em que nada acontece do jeito que queremos, mas tudo acontece do jeito que precisa. Há fases barulhentas, cheias de gente, e fases silenciosas, onde até as perguntas falam baixo.

No começo, resistimos. Achamos que não era para ser assim. Que a vida devia voltar para a fase anterior, aquela em que sabíamos mais ou doía menos. Mas a vida não anda para trás. Ela ensina.

Adaptar-se não é desistir. É aprender a respirar no ritmo novo. É entender que o que ontem fazia sentido, hoje pode pesar. Que algumas ausências não são castigo, são cuidado. E que nem toda mudança vem para tirar muitas vêm para aliviar.

Há fases que nos encolhem para depois nos expandir. Outras nos esvaziam para que caiba algo diferente. E mesmo quando não entendemos, seguimos. Porque viver é isso: atravessar fases sem manual, confiando que a gente dá conta. 
E dá! 

Com tombos, com pausas, com recomeços discretos.
A gente vai se adaptando. E, aos poucos, se transformando.



Fernanda

11 janeiro, 2026

Rendez-vous com o Infinito

Aleatoriamente um toque de poesia


Nas horas em que o silêncio floresce, 
ensaiamos o gesto de entrelaçar  mãos, 
destinos, ideias, respiração 
nesta vida que pulsa entre o que se pode
abstrato e o sagrado.

Nosso mundo não cabe em reptresentações,
é feito de comunhão caminho,
de harmonia em pequenos gestos, 
de um olhar que sabe, de um sentir que ultrapassa o verbo.

É transcendente esse encontro,
como estrelas que se reconhecem na imensidão,
como se o universo nos chamasse a um rendez-vous marcado antes do tempo.

Elevamos os corações ao que não se explica,
deixamos cair as máscaras do medo, 
e ali, entre o céu e a terra, 
tecemos a eternidade de um instante.



Fernanda

As mãos vazias de George Müller

Aleatoriamente um toque de poesia



Não sei se foi o vento ou a oração. Mas algo se movia naquela casa onde moravam tantas crianças e um homem que teimava em crer. George Müller não tinha posses. Não tinha grandes influências. Mas tinha fé daquela que constrange, da que não grita, só espera.

Dizem que, certa manhã, as prateleiras estavam vazias. Nada de pão. Nada de leite. Nada de promessas no correio. As crianças já se alinhavam nas mesas como quem confia no que não pode tocar com os olhos e Müller, como fazia todas as manhãs, orou.

“Obrigado pelo alimento que o Senhor nos dará.”

Foi só depois disso que bateram à porta. Primeiro o padeiro que não conseguia dormir e decidiu levar pães para o orfanato. Depois, o leiteiro cuja carroça quebrou bem em frente ao portão e precisava esvaziar os litros antes que estragassem.

E o milagre, mais uma vez, veio sem anúncio. Sem estardalhaço. Como quem respeita o silêncio da fé.

Fico pensando nas mãos de Müller. Sempre abertas. Sempre vazias. Sempre disponíveis para receber não por comodismo, mas por confiança. E me pergunto: em que ponto foi que a gente desaprendeu a depender de Deus?

Hoje, queremos segurança antes da entrega. Queremos  bússula  antes de caminhar. Queremos garantias antes de amar. Müller nos lembra que é possível viver diferente: acordar sem saber de onde virá o sustento, mas ainda assim colocar a mesa. E agradecer.

É raro alguém assim. Que confia tanto a ponto de cuidar de outros. Que crê tanto a ponto de alimentar. Que ora, não para pedir, mas para abrir espaço.

George Müller não fundou apenas orfanatos. Ele fundou uma fé que se pratica com gesto. E nos deixou um recado simples, quase esquecido:

É possível viver de joelhos.
E ainda assim caminhar com dignidade.




Fernanda
O texto nos lembra que a fé verdadeira se expressa em gestos. George Müller não fundou apenas orfanatos; fundou um modo de viver em que oração e ação caminham juntas. Uma fé que se ajoelha, mas não se apequena. Que confia, cuida e segue com dignidade.

Bom Domingo!