Havia em teu olhar uma educação de sentimentos,
como nas salas antigas onde o amor se sentava ereto,
com postura, mas tremendo por dentro.
Eu, feita de minúcias, percebi:
não era paixão apressada era dessas que pedem luvas, tempo e coragem.
Caminhamos lado a lado,
mantendo a distância respeitável das convenções,
mas nossos silêncios conversavam em segredo,
trocando promessas tímidas
como bilhetes dobrados no bolso do coração.
Teu gesto contido,
ao oferecer-me o braço invisível do cuidado,
valeu mais que mil declarações barulhentas.
Pois no romantismo verdadeiro
o amor não grita
ele persiste.
Observei-te em detalhes:
o modo como respiras antes de falar, como teus olhos pousam em mim
como quem pousa numa casa depois de longa viagem.
E ali entendi: há afetos que não precisam correr,
porque já chegaram.
Se um dia o mundo nos negar permissão, amarei mesmo assim, com a elegância rebelde das heroínas discretas, com a firmeza doce de quem escolhe ficar
sem perder a própria dignidade.
Pois amar-te,
meu caro,
é meu ato mais educadamente selvagem.
meu poema, meu esposo, meu amado
Fernanda