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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

06 janeiro, 2026

Metade

Aleatoriamente um toque de poesia




Não foste meu amor inteiro,
nem eu a tua escolha primeira,
mas entre gestos contidos
ergueu-se um afeto educado,
desses que sabem esperar.

Havia em nós uma metade
que sorria em silêncio,
e outra que recuava,
temendo o excesso do sentir
pois amar, às vezes,
é ousadia pouco recomendável.

Teu olhar dizia mais
do que tua voz permitia,
e o meu coração, prudente,
aprendeu a bater ao inverso:
forte por dentro,
discreto por fora.

Amamos sem posse,
quase sem confissão,
como quem escreve cartas
e jamais as envia.
Metade por cuidado,
metade por medo.

Se isto foi amor,
foi amor contido,
desses que sobrevivem
não pela presença,
mas pela dignidade do sentimento.

E ainda assim 
houve poesia.

Fernanda

Quer me conhecer melhor?

Aleatoriamente um toque de poesia



Então sente aqui um instante. 
Não prometo pressa, nem riso fácil. Prometo verdade.

Gosto muito de escrever, e quem percebe com atenção logo entende: minha escrita é reflexiva. Eu escrevo o que penso, e penso o que vivo. Refletir virou meu jeito de respirar o mundo. Talvez porque o tempo seja curto, talvez porque o lazer quase sempre fique para depois. Quando não estou de plantão, estou com minha família e isso, para mim, já é descanso.

Minha vida não é feita de grandes escapadas, mas de pequenos rituais. Um deles é o cafezinho. Amo cafezinho, sim, e já disse isso mais de uma vez. Mas ele quase nunca vem acompanhado de pausa longa ou paisagem bonita. Na maioria das vezes é no refeitório, entre um compromisso e outro, ou em casa, no intervalo possível do dia. Ainda assim, é sagrado.

Amo meditar. Conversar com o Senhor do alto, do jeito que sei e posso. Falo com a noite quando ela chega mansa, com a chuva quando ela cai sem pedir licença, com as flores do quintal que ensinam, sem palavras, o tempo certo de nascer e de esperar.

Minha escrita nasce daí: desses diálogos silenciosos, dessas ausências preenchidas com sentido, dessa vida simples que pensa muito. Se quiser me conhecer de verdade, leia com calma. Eu estou inteira no que escrevo.

Não escrevo para impressionar, nem para convencer.
Escrevo para organizar a alma,
para entender o que sinto,
para não deixar que os dias passem sem serem percebidos.

Há quem confunda reflexão com tristeza.
Não é.
É profundidade.
É o jeito que encontrei de permanecer inteira
num mundo que vive correndo.

Meu lazer, muitas vezes, é o pensamento.
Minha companhia, o silêncio que não pesa.
E minha alegria mora nessas conversas
com Deus, com a natureza, comigo mesma.

Se você chegou até aqui esperando barulho,
talvez estranhe.
Mas se veio em busca de verdade,
fica.

Eu não ofereço espetáculo.
Ofereço presença.

E presença, aprendi com o tempo, é coisa rara.
Ela exige entrega, escuta, permanência.
Não se improvisa.

Talvez por isso eu goste tanto das coisas simples.
Do quintal que muda sem avisar,
da noite que acolhe sem perguntas,
do café que aquece mais pelo gesto do que pelo sabor.

Minha escrita não grita.
Ela senta ao lado.
Não disputa atenção,
espera ser encontrada por quem tem o mesmo ritmo.

Se me perguntas quem sou,
respondo sem grandes definições:
sou alguém que observa, que sente fundo,
que fala com Deus em voz baixa
e confia que o essencial sempre entende o silêncio.

Se quiser seguir por aqui,
venha sem pressa.
Gosto de gente que chega com cuidado
e permanece por escolha.



Fernanda

05 janeiro, 2026

O cantinho de alguém

Aleatoriamente um toque de poesia



Vamos conversar?
Assim, de um para o outro, como se estivessemos numa roda de amigos presentes, sem pressa e sem ruído desnecessário.

A elegância também é força 
Meu amigo.

O palavrão e eu não combinamos. Da minha boca ele nunca tomou forma e, no meu pensamento,
mantenho-o a léguas de distância, porque o acho vil, abominável, feio e de um desrespeito hercúleo.

Não é pudor exagerado, nem moral emprestada  é escolha.
Palavra tem peso, tem corpo, tem intenção. E há palavras que chegam sujando o ambiente, rasgando o ar, diminuindo quem fala e quem escuta.

Prefiro o silêncio bem colocado,
a ironia discreta,
o desagrado dito com firmeza e educação.
Ofender nunca me pareceu sinal de coragem,
mas de pobreza de vocabulário
e de afeto.

Há quem confunda grosseria com sinceridade,
barulho com verdade.
Eu sigo acreditando que a elegância também é força
e que respeito não é ornamento 
é estrutura.

Assim, sigo escolhendo palavras
como quem escolhe caminhos: alguns podem ser mais fáceis, mas nem todos levam a um lugar onde eu queira estar.

O cantinho de alguém é como um santuário.
Não se entra de qualquer jeito, não se fala alto, não se espalha desordem. Visita-se com cuidado, com educação, quase com um pedido silencioso de licença.

Há pessoas que confundem intimidade com permissão. Acham que, por estarem próximas, podem largar as botas sujas no tapete do outro, cuspir palavras ásperas, usar vocabulário grosseiro como se fosse prova de autenticidade. Não é. É só falta de respeito mesmo.

Palavra tem peso. E palavra feia não se transforma em verdade só porque é dita sem filtro. Em cantinho alheio, a fala deveria ser macia, consciente, limpa. Não por moralismo, mas por consideração. Ninguém é obrigado a acolher aquilo que machuca, constrange ou polui o ambiente.

Quando alguém abre o próprio espaço seja a casa, o coração ou uma simples página está oferecendo confiança. E confiança não combina com palavrão, com grosseria, com descuido. Combina com delicadeza, mesmo quando há discordância.

Quem sabe entrar com carinho, sabe sair maior.
Quem não sabe, não percebe que nunca foi intimidade o que faltou  foi educação.
O meu blog fala de amor não de ira.
Meu pai lê, meu esposo, e minha filha adolescente também.
Por favor! Peço que continue assim.
Com respeito e educação



Fernanda



04 janeiro, 2026

Conhecimento e sabedoria

Aleatoriamente um toque de poesia



Hoje, 

enquanto esperava o café coar lentamente, como quem deixa a vida decantar junto com a água quente no pó, me peguei pensando nessa frase que ouvi de um senhor numa palestra antiga: “Não confunda jamais conhecimento com sabedoria. Um o ajuda a ganhar a vida; o outro a construir uma vida.”

Na hora, anotei num guardanapo, como quem guarda um segredo precioso, mas só hoje me dei ao trabalho de decifrar o que aquilo realmente queria me dizer.

O conhecimento, reconheçamos, é vaidoso. Ele gosta de títulos pendurados na parede, diplomas com moldura dourada, medalhas que tilintam no peito e até frases difíceis que impressionam em reuniões. É útil, claro: abre portas, garante salários, paga contas. Conhecimento é meio de transporte rápido, certeiro, quase como um carro último modelo que nos leva de um ponto ao outro da vida.

Já a sabedoria… ah, essa não tem pressa. É aquela senhora de cabelos brancos que fala baixo e olha fundo nos olhos, que prefere um banco de praça a um púlpito. Sabedoria não se adquire em cursos; ela se acumula em silêncios, em quedas, em amores que doem e em perdas que transformam. Se o conhecimento se exibe, a sabedoria se oferece. É como uma estrada de terra: mais lenta, cheia de curvas, mas que leva a lugares onde a alma respira.

Quantas vezes confundimos um com o outro! Basta lembrar de pessoas que sabem de cor as leis da física, mas não conseguem respeitar o espaço do vizinho. Ou dos que têm doutorados em comunicação, mas não escutam nem o próprio filho. Conhecimento sem sabedoria é como ter uma casa luxuosa sem janelas: falta ar, falta horizonte.

Lembro-me de uma amiga, estudiosa incansável, que fez todas as especializações possíveis em sua área. Um dia, em meio a tanta certidão acadêmica, desabou em lágrimas: “Eu sei tudo sobre meu trabalho, mas não sei nada sobre mim.” Ali estava o retrato vivo da frase no guardanapo. O conhecimento deu a ela a profissão, mas não o rumo. A sabedoria, se cultivada, daria o norte, o sentido, a serenidade para suportar os dias.

É curioso: nas rodas de conversa, o conhecedor fala; o sábio escuta. O primeiro traz respostas prontas; o segundo devolve perguntas que nos fazem pensar. O conhecedor nos impressiona; o sábio nos transforma.

Talvez a maior tragédia do nosso tempo seja acreditar que basta acumular informações para estar preparado para a vida. Nunca tivemos tanto acesso ao conhecimento a internet é uma biblioteca infinita e, paradoxalmente, nunca estivemos tão carentes de sabedoria. Porque sabedoria não se clica, não se copia e cola; ela se vive.

No fundo, penso que o conhecimento é como a semente e a sabedoria é como o fruto. De nada adianta ter o celeiro cheio de sementes se não aprendermos a plantar, regar e esperar o tempo certo da colheita.

Por isso, desconfio que a sabedoria se constrói nas pequenas coisas: no cuidado com quem amamos, na paciência com quem nos irrita, na capacidade de rir de nós mesmos e na coragem de pedir perdão. Ela não rende diploma, mas rende paz. E, convenhamos, paz é um bem que não se compra nem com o mais alto salário.

No final das contas, o café terminou de coar e ficou ali, fumaçando, como quem também queria participar da reflexão. Peguei a xícara e, antes do primeiro gole, prometi a mim mesma: que o conhecimento me ajude a ganhar a vida, sim, mas que a sabedoria essa companheira discreta seja a responsável por me ensinar a construir uma vida que valha a pena ser vivida.



Fernanda

03 janeiro, 2026

A folha que abre a janela

Aleatoriamente um toque de poesia



A folha em branco ficou na minha mesa como quem espera um amigo.
Não pedia pressa só companhia. Abri-a devagar, como quem abre uma porta que range de saudade.

Escrevi uma frase pequena: tinha gosto de café e de manhã.
A segunda frase apareceu como quem traz um cobertor; a terceira, com um beijo roubado pela tarde.
Logo a folha virou janela: eu espiava por ela e o mundo devolvia um adeus que também era começo.

Há palavras que acolhem, outras que acendem.
As que sobraram guardei no bolso como quem guarda pão para mais tarde.
Deixei a janela aberta. O vento entrou, espalhou pó de sol e me trouxe um sorriso alheio.

Fechei a folha com carinho  não por medo, mas por respeito.
A janela fica lá, prometida para amanhã:
quando eu quiser, sento-me de novo, abro a porta e deixo o dia escrever a mão que me habita.

 

Fernanda