Imagino a cena.
O povo dividido, o deserto como testemunha,
o coração sendo disputado entre o que brilha e o que liberta.
No meio daquela desordem, vozes, poeira, desânimo
Moisés se ergue e diz:
Aquele que for de Deus, venha até mim.
Não é uma frase de orgulho.
Não é convite para perfeitos.
É chamado para quem, mesmo tropeçando,
ainda deseja caminhar na direção da Luz.
Porque ser “de Deus” não é nunca errar.
É reconhecer quando o caminho entortou,
quando o bezerro de ouro tomou lugar demais,
quando o barulho do mundo ensurdeceu as orações.
Ser de Deus é ter saudade d’Ele.
E então, diante de toda a desordem, a voz repete:
Se você ainda o busca, se ainda tem sede, se ainda quer tentar venha.
Com suas dúvidas, com seus cacos, com os bolsos vazios.
Não é sobre trazer oferendas impecáveis.
É sobre trazer o coração.
Eu penso que essa frase atravessa os séculos
porque continua acontecendo hoje.
Não na montanha, não no deserto literal,
mas dentro de nós.
Todo dia tem um Moisés interior dizendo:
Aquele que for de Deus, venha até mim.
E esse “mim” às vezes é a oração que esquecemos,
às vezes é o perdão que evitamos,
às vezes é a coragem de recomeçar.
Deus não seleciona santos prontos
Ele chama quem ainda está aprendendo a amar.
Chama imperfeitos.
Chama cansados.
Chama quem está segurando o pouco que sobrou e ainda assim diz:
“Eu quero tentar.”
Talvez, então, o convite seja assim:
Se teu coração ainda pulsa esperança, mesmo pequena,
vem. Se teu peito ainda deseja verdade, mesmo tímida,
vem. Se tua alma ainda sabe que existe uma origem, um lar, um sentido,
mesmo sem conseguir explicar vem.
Aquele que for de Deus, venha até mim.
Não porque somos dignos, mas porque Ele nos quer.
E o querer de Deus é direção.
É caminho.
É milagre possível.
Com fé e delicadeza,
Fernanda
Obs.: Não sou evangélica, e nem estou tentando converter ninguém.
É só o que meu coração quis escrever e eu, assim fiz.
Porque amo falar de Deus
