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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

17 abril, 2026

O Exercício de Ser Laço

Aleatoriamente um toque de poesia




Nunca construí vínculos tentando impressionar.
Os encontros que ficaram esses que viraram abrigo nasceram de um gesto mais simples e mais raro: interesse real.

Interesse pelo que o outro não mostra de primeira.
Pelo riso que vem fácil, mas também pelo que vem depois dele. Pelo jeito curioso que cada um encontra de suavizar as próprias dores ou, às vezes, de transformar pequenas coisas em grandes tempestades. É nesse território, meio imperfeito e totalmente gente, que as conexões começam a ganhar forma.

Existe um instante bonito, quase imperceptível em que alguém percebe que pode ser ouvido de verdade.
E quando isso acontece, o coração se abre com uma generosidade desarmada.
Não é estratégia, não é cálculo é resposta.
E então, quase sem perceber, a gente se abre também.

Mas é depois desse momento que tudo começa de fato.

Porque não basta receber a confiança é preciso cuidar dela. Não basta escutar é preciso sustentar.
É ali, no que fazemos com aquilo que nos foi entregue, que os vínculos deixam de ser encontros e passam a ser construção. E nem sempre isso vem como talento.

Para alguns, é dom.
Para outros como eu é prática. Um exercício contínuo de presença, de escuta, de tentativa sincera de ser melhor dentro das relações.

Às vezes olho para as pessoas que caminham ao meu lado e penso: como conseguem fazer isso com tanta naturalidade?
Como transformam qualquer conversa em algo quase sagrado, como se o encontro tivesse sempre um sentido maior?

E então percebo: talvez não seja sobre facilidade.
Talvez seja sobre escolha.
Quando alguém que admiro alguém que considero inteiro, sensível, desperto decide ficar, isso diz muito mais sobre mim do que qualquer dúvida que eu tenha.
Vira um tipo de confirmação silenciosa: continue.
tem algo certo acontecendo aqui.

E isso me move.
Me faz querer crescer, ajustar, amadurecer.
Não por medo de perder, mas por respeito ao que está sendo construído.
Porque nenhuma relação se sustenta no automático.
O ser humano muda, se refaz, se descobre e as relações precisam acompanhar esse movimento.

Elas pedem renovação.
Pedem coragem.
Pedem verdade.
E, no meio disso tudo, aprendi algo que carrego como bússola: as amizades também nos ensinam a amar melhor.

Elas afinam o olhar.
Ajudam a reconhecer o que é cuidado e o que é descuido disfarçado. O que é presença e o que é ausência bem maquiada.

E, vez ou outra, me faço uma pergunta simples, mas decisiva: eu indicaria essa pessoa que hoje mexe comigo para alguém que amo profundamente?
Se a resposta vacila, algo dentro de mim também precisa parar e escutar.

Porque amar não é só sentir.
É escolher com consciência.
É não se abandonar no caminho.

No fim, entendo que tudo isso cada encontro, cada aprendizado, cada tentativa
é parte de um movimento maior.

Eu não seria quem sou hoje
se não tivesse sido tudo o que fui. E sigo.
Não perfeita, não pronta 
mas disponível.

Disponível para continuar exercitando esse verbo bonito e exigente:
relacionar.

Fernanda

16 abril, 2026

Foi preciso

Aleatoriamente um toque de poesia


Foi preciso me desarmar do controle e aceitar o risco o risco de sentir, de rir alto, de doer fundo. Abrir espaço dentro de mim para o inesperado, como quem escancara janelas sem saber que vento entra, mas ainda assim confia.

Foi preciso lembrar que a vida não é linha reta  ela é invenção. E a criatividade, essa companheira esquecida, sempre esteve ali, oferecendo caminhos onde antes eu só via muro. Mil possibilidades onde eu insistia em enxergar fim.

Mas, acima de tudo, foi preciso um gesto silencioso e difícil: me reconhecer digna.
Digna da leveza que eu mesma evitava.
Do amor que batia à porta e eu fingia não ouvir.
Da alegria simples essa que não precisa de motivo, só de permissão.

Porque ser feliz não é sorte.
É treino. É escolha repetida nos dias comuns. É aprendizado lento de quem desaprende a dor como destino e começa, com cuidado, a se permitir viver.



Fernanda

14 abril, 2026

Avesso de Asas

Aleatoriamente um toque de poesia




Transcrevo-me em teus silêncios como quem aprende a respirar dentro de um sonho. Há em ti uma poesia que não se explica apenas se passa. E eu, distraída de mim, me deixo ir, palavra por palavra, até caber no intervalo do teu olhar.

És essa espécie rara de beleza que não repousa: uma borboleta de asas incontáveis, que não se limita ao voo, mas reinventa o próprio céu. Em cada batida, um desvio. Em cada cor, um segredo. E eu, tão habituada ao chão, começo a duvidar da gravidade que me prende.

Invento-te no avesso do que é concreto, porque só lá te encontro inteiro. No extremo das coisas que não ousam ser ditas, onde o tempo não pesa e a idade não acusa. Lá, tua existência não envelhece apenas se transforma.

E se me perco, não é descuido: é escolha. Porque há encontros que não pedem rumo, apenas entrega. E no risco de te imaginar, acabo me revelando menos rígida, menos poesia , mais viva.

Talvez amar seja isso: desaprender os limites e aceitar que algumas presenças não cabem no mundo só no verso.

Fernanda

10 abril, 2026

A minha paz

Aleatoriamente um toque de poesia



Demorei a entender que a paz não se pede, nem se compra, nem se encontra em lugares bonitos com cheiro de lavanda. A paz verdadeira não depende do que está fora, mas do que permanece dentro,  mesmo quando tudo ao redor desaba.

Durante muito tempo, acreditei que ela viria quando tudo estivesse “certo”: quando houvesse silêncio na casa de dentro, quando as pessoas  entendessem o que eu queria dizer, quando o dia corresse leve e sem tropeços. Mas descobri que essa paz era frágil, dependente do humor do mundo, das vontades alheias, das circunstâncias que mudam como o vento.

A paz interior é outra coisa. É o instante em que o coração decide não se abalar com o que não pode controlar. É quando escolho não reagir, não carregar o peso do que não é meu. É o momento em que aceito que o barulho lá fora não precisa morar dentro de mim.

A minha paz é um refúgio discreto. Ela não faz barulho, não se exibe, não precisa de aprovação. Vive no gesto simples de respirar fundo antes de responder, no silêncio que substitui a ofensa, na gratidão que ainda encontro mesmo em dias difíceis.

Porque se a minha paz depender das marés do mundo, estarei sempre à deriva. Prefiro ancorá-la em mim, no que sou, no que sinto, no que escolho preservar. Assim, mesmo quando o mundo se agita, dentro de mim o mar permanece calmo.


Fernanda

08 abril, 2026

Numa era antiga

Aleatoriamente um toque de poesia


Sob o céu de Roma Antiga, entre o murmúrio das fontes e o peso dos olhares,
aprendi que o amor de uma mulher quase sempre deve ser silêncio.

Mas contigo… eu desaprendi.

Não fui feita apenas para bordar destinos alheios
nem para assistir, quieta, à vida passar pelas janelas de pedra. Há em mim uma fagulha de sol que nem Vesta conseguiria guardar 
e chama o teu nome.

Quando caminho pelas ruas, envolta em véus e costumes,
carrego em segredo o mais proibido dos desejos:
ser livre o bastante para te amar à luz do dia.

Se os deuses me escutam, que não me julguem 
pois não escolhi sentir assim.
E se amar-te for desafiar o mundo que me cerca,
então que digam: fui ousada.

Porque, entre todas as leis de Roma, nenhuma é mais forte
do que este amor que me habita. 



Fernanda

Postado por André
A desafiei criar um novo estilo de escrita e ela criou.😅


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