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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

31 agosto, 2026

Pise nas águas.

Aleatoriamente um toque de poesia



Hoje a poesia me tocou enquanto eu caminhava dentro de mim.

Talvez porque a vida tenha desses chamados, como quem estende a mão e diz: pise nas águas. Não espere que elas se abram diante dos seus olhos.
Pise.

Mesmo com medo.
Mesmo sem saber a profundidade.
Mesmo carregando nas costas aquilo que já deveria ter ficado para trás.

Há caminhos que só aparecem depois do primeiro passo. Hoje entendi que fé não é esperar que o mar fique raso. É confiar enquanto os pés ainda procuram chão.

Então, pise nas águas.

Deixe que elas levem o que pesa, lavem o que doeu e devolvam ao coração aquilo que o medo quase fez esquecer:

você ainda sabe voar.

E enquanto eu caminhava, a poesia me tocou de leve no ombro, como quem sussurra:
Fernanda, vai…
A vida não prometeu águas tranquilas. Prometeu apenas que você nunca caminharia sozinha.



Fernanda

Entre letras e alvorecer

Aleatoriamente um toque de poesia

Há palavras que se desprendem
como folhas cansadas do galho, e eu fico, em silêncio,
a decifrar a raiz do meu ser.

Faço do abraço um agasalho,
e nele me recolho
quando a vida sopra frio.
Depois, devagar,
aprendo a voar entre verbos,
porque letras queimam
quando carregam verdades
que o coração ainda não conseguiu dizer.

O tempo e suas marcas
têm sabor de memória.
Algumas saltam de meus lábios sem pedir licença,
outras permanecem guardadas num lugar onde só a alma alcança.

E quando meus olhos irradiam alguma alegria,
eu descubro que ainda sei sorrir mesmo depois da tempestade.

Idealizo caminhos,
aprendo a sombras soltar,
e sigo recolhendo frutos
de cada estação vivida.

Meus pensamentos, às vezes, entram num labirinto
onde nenhuma bússola conhece o norte.
Mas espero o alvorecer,
porque todo amanhecer
traz consigo a possibilidade
de um novo começo.

Então me desarmo.
E, sem medo de parecer frágil, vou unindo
as lágrimas ao sorriso,
a dor à esperança,
o silêncio ao murmúrio
daquilo que ainda vive em mim.

Talvez a vida seja: um universo de encontros,
algumas tempestades,
muitas marcas,
e a coragem muda
de continuar florescendo
mesmo quando ninguém percebe a raiz que sustenta
a nossa primavera.


Fernanda

28 agosto, 2026

Ser alado

Aleatoriamente um toque de poesia


Há ecos que permanecem mesmo depois que o silêncio chega. São antigos habitantes do coração,
moradores de uma casa que aprendeu a ficar desarmada
diante da vida, do amor e de suas pequenas contradições.

Aprendi que é preciso tolerância para compreender aquilo que não se explica,
e talvez exista uma espécie de telepatia entre almas que se reconhecem sem precisar dizer.

Sou assim:
um raio de luar atravessando a noite, um pouco de doçura em meio às asperezas,
um pássaro sem asas visíveis,
carregando no peito o presente como quem carrega uma fonte de água limpa
para matar a sede de quem já se cansou de caminhar.

Mas também sou ferida.
E talvez seja justamente por isso que aprendi a ser rocha.

Não porque nunca tenha quebrado, mas porque tive de desbravar caminhos
quando ninguém sabia me dizer por onde ir.

Meus sonhos ainda conversam comigo.
Às vezes dizem baixinho:
“Segue-me.”
E eu sigo.

Não porque conheça o destino, mas porque descobri que nem toda estrada
precisa ser compreendida antes de ser percorrida.

O ontem ficou guardado
como uma fotografia antiga dentro da alma.
Não o nego, não o apago.
Apenas não permito que sua sombra decida o tamanho da minha luz.

Há coisas que só o tempo ensina: que algumas perdas são portas, que algumas dores são sementes,
e que algumas despedidas
nos devolvem a nós mesmos.

Hoje, quando olho para o céu,
sinto que existe em mim um ser alado que passou muito tempo com medo de partir.

Então, digo a ele:
Voa.
Voa sem pedir licença ao passado. Voa sem medo do vento. 
Voa levando a doçura, a fé e os sonhos.

Porque talvez a vida seja isso:
aprender a transformar ecos em música, feridas em sabedoria, sombras em luz
e o coração, finalmente,
em um lugar onde a alma possa morar.

Fernanda

Ofício

Aleatoriamente um toque de poesia



Aprendi, na longa caminhada,
que a vida é um ofício delicado: há dias em que precisamos de agasalho
e outros em que o coração se veste apenas de coragem.

No pincel, aprendi a decifrar
o que as palavras não conseguem dizer.
Pintei o silêncio,
as marcas do tempo,
a desordem dos pensamentos
e os sonhos desmedidos
que o espírito insiste em guardar.

Fiz dos versos minha casa,
da poesia, minha raiz,
e fui colorindo o mundo
com as pequenas coisas
que quase ninguém percebe.

Aprendi que o tempo não apaga. Ele apenas muda as cores daquilo que um dia nos feriu.

Por isso, hoje,
não tenho pressa de compreender tudo.
Há mistérios que preferem permanecer entre o céu e o mar, entre uma lembrança e outra, entre aquilo que fomos
e aquilo que ainda podemos ser.

Deito no sopro da brisa
as minhas inquietações
e deixo que o vento
leve consigo o que já não me pertence.

Depois recolho meus versos
como quem recolhe flores
de um jardim depois da chuva.

E caminho.
Com algumas marcas,
algumas cicatrizes,
muitos sonhos desmedidos
e uma certeza tranquila:

a vida pode até trazer desordem, 
mas enquanto houver poesia, 
sempre encontraremos um jeito de colorir novamente
a nossa caminhada.

Porque escrever, para mim,
não é apenas juntar palavras.

É tocar a própria raiz,
escutar o espírito
e transformar o que sentimos
naquilo que o tempo
não consegue apagar:

um verso vivo
dentro da alma.

Fernanda

27 agosto, 2026

Poeta maior

Aleatoriamente um toque de poesia


Enquanto a noite chega para ninar o dia, o sol se põe em reverência, como quem sabe,  há momentos em que até a luz precisa silenciar para bendizer a beleza.

O mar, porém, não se cala.
Continua a conversar com a areia, numa intimidade, que dispensam palavras. E eu, poetisa distraída, fico à margem, recolhendo versos que as ondas deixam escapar.

Foi então que o vi.
O poeta maior.
Não sei se foi o mar que me ensinou a reconhecê-lo ou se foi o próprio sol, antes de desaparecer, que o iluminou por um instante especial. Sei apenas que meu coração, tão acostumado a transformar paisagens em poesia, encontrou nele uma paisagem que não sabia descrever.

E que perigo há nisso?
Porque uma poetisa pode até sentir que contempla o horizonte, quando, na verdade, contempla aquele que o criou.

Pode falar do azul do céu, quando pensa em olhos que tudo vê . Pode elogiar o brilho do entardecer, quando é outro brilho que lhe prende a atenção. Pode dizer que admira a poesia, quando, secretamente, admira o poeta.

Ah, meu amado Senhor, talvez sorria desse pequeno desatino e diga que certas paixões começam assim: com amor, devoção e absolutamente incapazes de obedecer à razão, porque o coração sabe sempre o caminho.

A noite enfim se aproxima.
O sol entrega o céu às estrelas, o mar escurece suas águas e a brisa passa devagar, como se soubesse de um segredo.

E eu continuo ali, entre o mar e o silêncio, perguntando-me se o poeta maior percebeu que, naquela tarde, uma poetisa se encantou não apenas com seus versos, mas com a existência daquele que os escreveu.

Ele sempre soube.
E seja justamente isso que torne  essa a poesia tão bonita: há sentimentos que não pedem declaração.
Basta-lhes um pôr do sol,
um mar tranquilo,
uma noite chegando de mansinho e dois poetas descrevendo juntos magnificência!


Fernanda

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