✿Aguarde os próximos capítulos...✿

Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

13 agosto, 2026

Quando o amor precisa sair da boca e entrar na rotina

Aleatoriamente um toque de poesia




Tenho pensado muito sobre uma coisa que, para mim, precisa ser dita com carinho, mas também com sinceridade: amar não pode ser apenas uma declaração. Amor precisa aparecer nas atitudes, na presença, no cuidado e, principalmente, no tempo que dedicamos uns aos outros.

Digo isso pensando como 
Médica, filha, mãe e especialmente nas famílias e nos nossos idosos.

Vivemos uma época em que muitas pessoas estão cercadas de gente e, ainda assim, profundamente sozinhas. Há idosos que têm filhos, netos, irmãos e familiares por perto, mas passam dias esperando uma visita, uma conversa, uma refeição compartilhada ou simplesmente alguém que se sente ao lado deles.

Talvez, essa seja uma das solidões mais dolorosas: ter família e sentir-se esquecido por ela. Não acredito que ser filho, neto, pai, mãe, tio ou avó seja apenas uma condição determinada pelo sangue. São também lugares afetivos que precisam ser ocupados. 

Ser neto é aprender a visitar, ouvir histórias, perguntar como está. Ser filho é compreender que os pais envelhecem e que um dia precisarão de nós de uma maneira diferente. Ser pai ou mãe também é ensinar aos filhos, pelo exemplo, que pessoas não são descartáveis quando deixam de ser produtivas.

Como profissional que observa as relações humanas, eu diria às famílias: não esperem a velhice chegar para descobrir que presença também é uma forma de cuidado.

Nossos idosos não precisam apenas de remédios, consultas e uma casa organizada. Precisam de rotina afetiva. Precisam sentir que continuam pertencendo à família.

Precisam, quando possível, de refeições à mesa não simplesmente de um prato deixado diante da televisão. Precisam de conversa, de participação, de pequenas responsabilidades, de encontros. Precisam saber que ainda são importantes.

E isso vale também para as crianças.

Uma criança que cresce vendo os adultos ignorarem os próprios pais pode aprender, a observar como exemplo, que os vínculos familiares são descartáveis. Depois, talvez repita o comportamento. Gentileza também se ensina pelo exemplo.

Não estou dizendo que toda família precisa estar junta o tempo inteiro. Cada pessoa tem suas responsabilidades, seu trabalho, seus problemas e sua própria vida. O que defendo é que não confundamos falta de tempo com falta de prioridade. Às vezes, dez minutos de presença verdadeira valem mais do que horas de convivência distraída.

O celular não deveria ocupar o lugar da conversa. A televisão não deveria substituir a mesa. E as mensagens virtuais não deveriam ser a única forma de demonstrar afeto a quem está envelhecendo ao nosso lado.

Há uma diferença enorme entre estar perto e estar presente.

Talvez nossos amigos dos blogs compreendam essa reflexão porque muitos de nós já percebemos que o tempo passa depressa. Aqueles que hoje são nossos pais, avós e tios um dia foram jovens, trabalharam, cuidaram de nós, fizeram planos e também tiveram seus próprios sonhos.

Agora talvez seja a nossa vez de cuidar.

Amor não é somente dizer “eu te amo”. É perguntar se comeu. É telefonar. É visitar. É sentar-se à mesa. É ouvir a mesma história pela terceira vez sem demonstrar impaciência. É levar o neto para conhecer o avô. É ensinar uma criança a abraçar quem envelheceu. É criar dentro da família uma cultura de cuidado.

Porque, perceba antes de ser tarde , o ser humano precisa do outro ser humano.

E talvez uma das maiores lições que podemos deixar para as próximas gerações seja esta: ninguém deveria envelhecer sentindo que se tornou invisível dentro da própria família.

Amar, quando é verdadeiro, não fica apenas na boca.
Amor cria presença. Amor cria rotina. Amor cria pertencimento. E, sobretudo, amor cuida.
 Pense nisso!😉

Fernanda

11 agosto, 2026

As casas onde mora a amizade (Blogs)

Aleatoriamente um toque de poesia



Tenho amigos que visito pouco. Não porque tenham diminuído em importância dentro de mim, mas porque o tempo tem dessas coisas: passa ligeiro, espalha compromissos pelos dias e, quando a gente percebe, já ficou alguma casa querida esperando nossa visita.

Há os amigos que consigo visitar mais. Vou chegando aos poucos, conforme a vida permite, tentando colocar em dia aquilo que o coração nunca deixou atrasado.

E há as férias.
As férias são outro tempo.
É quando consigo andar mais devagar pelas casas dos amigos, uma por uma, por etapas. Entro sem pressa, leio o que escreveram, vejo suas fotografias, encontro suas palavras e, de algum modo, reconheço ali um pedaço de mim também.

Porque cada amigo é uma casa. Algumas a gente visita sempre. Outras ficam um pouco mais distantes, escondidas atrás dos afazeres, mas nunca deixam de ser morada.

E talvez amizade seja justamente isso: não exigir presença o tempo inteiro para continuar existindo.

Há pessoas que a gente não visita todos os dias, mas carrega todos os dias.
Por isso, quando consigo, vou chegando.

Bato à porta.
Leio.
Deixo um carinho.
E sigo para outra casa.

Assim vou percorrendo devagar essa pequena rua de afetos que a vida me deu.
Não consigo visitar todos de uma vez. Mas, quando chego, chego de coração inteiro.

Porque amizade não se mede pelo número de visitas.
Mede-se pelo lugar que alguém continua ocupando dentro da gente, mesmo quando o tempo não nos deixa bater à sua porta.


Fernanda

10 agosto, 2026

Ser poeta

Aleatoriamente um toque de poesia



Ser poeta é uma coisa curiosa. Afinal, o que é a poesia? 

Talvez seja aquilo que sobra quando a palavra já não consegue explicar o sentimento. É o silêncio que aprende a se vestir de frase, a lágrima que se transforma em metáfora, o cotidiano que, de repente, ganha uma janela para o infinito.

E o que precisa o poeta dizer através dela?

Tudo e nada.
Pode homenagear, pode revelar, pode até desvalorizar porque poeta também engloba essências, e nem sempre a beleza mora no que se escreve. Mas existe uma suavidade que não deveria ser esquecida: quando olhamos profundamente para alguém, quase sempre estamos diante de um espelho lembre-se.

O outro está ali, sendo ele.
O reflexo, porém, é nosso.

Há poeta que, sem perceber, escreve tanto sobre o outro que acaba tentando colocar dentro dele a própria personalidade, os próprios medos, suas certezas, suas feridas e até aquilo que gostaria que o outro fosse. E então confunde poesia com julgamento. Mas a poesia verdadeira não precisa diminuir ninguém para fazer alguém crescer.

Ela não precisa transformar o outro em personagem de suas próprias sombras.
Ser poeta é saber que cada pessoa carrega um universo que não nos pertence.

É olhar sem possuir.
É sentir sem invadir.
É escrever sem condenar.

Porque talvez a maior beleza da poesia esteja nisso: ela não diz ao outro quem ele é; ela revela ao poeta quem ele se tornou diante dele. 
E assim, quando escrevo sobre você, talvez eu esteja falando muito mais de mim do que imagino.

O poeta deveria saber disso.
Cada palavra que escolhe é uma pequena janela.
E, vez ou outra, quando termina o poema, descobre que estava olhando para fora apenas para enxergar melhor o que havia dentro.

Ser poeta é isso: é fazer da palavra uma casa, mas ter humildade para lembrar que nem todo mundo que entra nela veio morar.

Alguns apenas passam.
Outros deixam flores.
E há aqueles que nos deixam um refletir apontando o seu interior.

E saiba: Não, Sou sua musa.
E talvez você tenha se enganado ao pensar que ser musa é pertencer ao poeta.
Não pertenço.

A musa não é propriedade da poesia, nem personagem moldada pela vontade de quem escreve. Ela existe antes do poema inteira, imperfeita, dona de seus silêncios e de suas próprias palavras.

Você pode me transformar em verso, pode me vestir de metáforas, pode me colocar entre flores ou tempestades.
Mas não pode me transformar em você.

Se me homenageia, que seja porque encontrou beleza em mim. Se me desvaloriza, talvez esteja apenas conversando com o seu próprio espelho.

Eu sou a musa.
Mas o poema é seu.
E talvez essa seja a parte mais bonita e mais perigosa de ser poeta: descobrir que, enquanto escreve sobre alguém, está inevitavelmente escrevendo um pouco sobre si.

Por isso, não me confunda com suas palavras.
Eu sou muito maior que o personagem que você inventou.

Sou mulher antes de ser musa. Sou história antes de ser metáfora. Sou silêncio antes de ser verso.

E se algum dia eu lhe inspirar um poema, escreva.
Mas não tente me aprisionar nele. Porque musa não é aquela que pertence ao poeta. É aquela que, mesmo depois que o poema termina, continua sendo livre.

Porque aquilo que você enxerga em mim também fala de você.


Fernanda


09 agosto, 2026

Homem também ganha flores

Aleatoriamente um toque de poesia




E hoje, cada criança colocou uma rosa no buquê para André. Não foi apenas uma rosa. Foi um pedaço de amor, um agradecimento pequeno nas mãos de quem ainda está aprendendo a nomear os sentimentos.

Oito crianças. Oito rosas. Oito maneiras diferentes de dizer: pai, nós amamos você.

Olhei para aquele buquê e pensei que existem homens que não precisam de medalhas para serem heróis. Seus feitos não aparecem nos jornais, nem em placas de outdoor.  Estão nas pequenas coisas: no abraço depois do medo, na mão estendida, na paciência, no cuidado, na presença.

André é assim.
Pai de oito, carregando no peito uma espécie de jardim onde cada filho floresce de um jeito. E talvez ser pai seja justamente isso: aprender que nenhuma flor é igual à outra, mas todas precisam de sol, água, cuidado e, sobretudo, presença.

Hoje, as rosas chegaram até ele. E eu fiquei olhando aquela cena com o coração quietinho, porque algumas felicidades não precisam de palavras. Basta olhar.

Para mim, André é mais que o homem com quem divido a vida. É o companheiro das manhãs e das tempestades, o homem que conhece meus jeito de ser , que caminha ao meu lado quando a estrada está com sol ou chuva e que, sem perceber, foi se tornando parte dos meus versos.

Se a minha vida fosse um livro, ele seria uma dessas páginas que a gente lê devagar, com medo de chegar ao fim.

Se fosse uma poesia, eu não precisaria procurar a última estrofe.  Porque há amores que não terminam no ponto final. Eles continuam florescendo.
E hoje, entre oito rosas e oito pequenos corações, eu compreendi mais uma vez:

André é o pai herói deles.
E, para mim, é a minha melhor poesia.

Feliz Dia dos Pais, meu amor.
Que nunca lhe faltem flores porque homens que amam, cuidam e permanecem
também merecem recebê-las.


Fernanda

08 agosto, 2026

José e o primeiro sorriso doce

Aleatoriamente um toque de poesia


Há momentos em que os filhos nos surpreendem sem perceber. Não chegam anunciando que cresceram. Não dizem: “Mãe, estou deixando de ser menino.”
Apenas aparecem diante de nós com uma história pequena nas mãos e, de repente, percebemos que alguma coisa mudou.

Foi assim com José.
Meu adolescente chegou perto de mim com aquele jeito tranquilo de quem ainda não sabe se deve contar ou guardar.

Então eu que conheço meus filhos nos detalhes  o fitei demoradamente. 

E ele, Mãe, encontrei uma menina do sorriso doce.

Há certas palavras que fazem uma mãe refletir imediatamente.

É mesmo, José?

Ele continuou:
Ela perguntou meu nome e se eu tenho namorada. Eu disse que me chamo José e que não tenho namorada.

Continuei fitando ele.
José já não era aquele menino que corria pela casa atrás das pequenas alegrias. Havia nele alguma coisa diferente. Uma certa timidez escondida atrás da educação, um começo de descoberta que ainda não sabia nomear.

Então ele me perguntou:
O que você acha, mamãe?

Sorri. 
Ainda estou me acostumando com o modo como você e  Clarinha perguntam essas coisas hoje em dia, filho.

Ele riu.
Mas não desistiu:
E você mamãe, o que sentiria se alguém perguntasse isso para você?

Foi então que eu entendi que aquela conversa não era sobre uma menina.
Era sobre a vida. Sobre aprender a olhar para o outro sem pressa. Sobre o coração que, às vezes, se encanta antes mesmo que a razão tenha tempo de chegar.
Perguntei:

E você, José? O que sentiu?

Ele pensou.
Achei que ela foi muito apressada.

Talvez tenha sido mesmo.
Mas eu não queria ensinar meu filho a julgar aquela menina. Queria ensiná-lo a compreendê-la.

Filho, às vezes as pessoas se aproximam de nós de maneiras que não entendemos imediatamente. Isso não faz delas boas ou ruins. Apenas diferentes. Antes de julgar, conheça.

Ele ficou quieto.

E eu continuei:
Mesmo sentindo algo por alguém, precisamos conhecer antes de julgar. O coração pode se encantar com um sorriso, com uma palavra, com um olhar… mas conhecer alguém exige tempo.

José me ouviu com aquela atenção bonita dos adolescentes quando ainda fingem que não estão prestando tanta atenção assim.

Depois sorriu.obrigada mamãe!
E saiu.

Fiquei sozinha.
Pensei em como os filhos crescem enquanto nós ainda estamos ocupadas tentando guardar a infância deles.
Um dia, somos nós que escolhemos suas roupas, penteamos seus cabelos, seguramos suas mãos.

Depois eles começam a escolher. Escolhem os amigos. Escolhem os caminhos. E, um dia, talvez escolham alguém para caminhar ao lado.

A maternidade é também essa delicada arte de abrir as mãos sem deixar de amar.
José está começando a descobrir que existe um mundo inteiro dentro de cada pessoa. Que uma menina não é apenas um sorriso doce.
Que um menino não é apenas uma resposta.

Que gostar não significa possuir. Que aproximar-se exige respeito.
Que conhecer é mais bonito do que imaginar. E que ninguém deveria ser julgado apenas pela primeira impressão.

Talvez seja isso que eu queira deixar para meus filhos como uma pequena herança de mãe: tenham coragem para sentir, mas tenham sabedoria para conhecer.

Não tenham pressa de chamar de amor aquilo que ainda é apenas encanto.
Deixem o tempo conversar com vocês.

Porque algumas histórias começam com uma pergunta.
Outras começam com um sorriso.

E algumas, as mais bonitas, começam quando duas pessoas simplesmente decidem se conhecer.

Naquela noite, olhei para José e pensei: Meu Deus…
quando foi que aquele meu menino cresceu?

Talvez tenha sido ontem.
Talvez tenha sido enquanto eu estava distraída, cuidando da vida. Ou talvez os filhos nunca cresçam de uma vez.
Talvez apenas nos ensinem, pouco a pouco, a amá-los de um jeito novo.

E eu, mãe que ainda guarda tantos meninos dentro do coração, vou aprendendo.
Com José. Com seus primeiros encantamentos.
Com suas perguntas.
Com seus silêncios.

E com essa coisa tão bonita e tão perigosa chamada vida, que começa cedo a nos ensinar que amar alguém também é aprender a enxergá-lo para além daquilo que nossos olhos conseguem ver.



Fernanda

Seguidores