Hoje a poesia me tocou enquanto eu caminhava dentro de mim.
Talvez porque a vida tenha desses chamados, como quem estende a mão e diz: pise nas águas. Não espere que elas se abram diante dos seus olhos.
Pise.
Mesmo com medo.
Mesmo sem saber a profundidade.
Mesmo carregando nas costas aquilo que já deveria ter ficado para trás.
Há caminhos que só aparecem depois do primeiro passo. Hoje entendi que fé não é esperar que o mar fique raso. É confiar enquanto os pés ainda procuram chão.
Então, pise nas águas.
Deixe que elas levem o que pesa, lavem o que doeu e devolvam ao coração aquilo que o medo quase fez esquecer:
você ainda sabe voar.
E enquanto eu caminhava, a poesia me tocou de leve no ombro, como quem sussurra:
Fernanda, vai…
A vida não prometeu águas tranquilas. Prometeu apenas que você nunca caminharia sozinha.
Fernanda