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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

28 setembro, 2026

Testando a psicologia

Aleatoriamente um toque de poesia


Houve um tempo em que eu acreditava que amar alguém era uma espécie de morada. A gente chegava, deixava os sapatos à porta, espalhava pequenos sonhos pela sala e imaginava que, dali em diante, haveria sempre alguém esperando pelo nosso retorno.

Eu não sabia que algumas casas existem apenas para nos ensinar a voltar para nós mesmos. Durante muito tempo, procurei você nas horas vazias, nas tardes demoradas, nas pequenas lembranças que insistiam em aparecer sem serem convidadas. Havia dias em que qualquer coisa me fazia pensar em nós: uma música, uma palavra, o cheiro de café, uma janela aberta para o fim da tarde. E eu, tão cheia de esperança, inventava continuidades onde talvez já houvesse apenas despedidas.

Você tinha um jeito peculiar de se afastar sem precisar partir. Estava ali, mas parecia morar muito longe. Eu conversava com o silêncio e, de alguma maneira, esperava que ele me respondesse.
Talvez essa tenha sido a minha maior ilusão: imaginar que, se eu tivesse paciência suficiente, carinho suficiente, compreensão suficiente, conseguiria alcançar o lugar onde você escondia o que sentia.

Só depois compreendi que ninguém pode ser alcançado quando escolhe permanecer distante. Houve uma noite em que alguma coisa dentro de mim cansou. Não foi uma revolta. Não houve portas batendo, acusações. Foi apenas aquela calma  compreensão que chega quando o coração, depois de insistir tanto, finalmente entende. Eu não precisava mais convencer ninguém a ficar.

Foi estranho perceber isso.
Porque, durante muito tempo, achei que perder você significaria perder uma parte de mim. E aconteceu justamente o contrário. Quando você deixou de ocupar todos os espaços dos meus pensamentos, comecei a encontrar coisas minhas que eu havia esquecido.

Voltei a gostar das minhas próprias manhãs. Voltei a prestar atenção no céu.
Voltei a perceber que uma tarde podia ser bonita mesmo quando ninguém me escrevia.
Voltei a rir sem precisar contar a razão.

E descobri uma coisa quase desconcertante: eu ainda existia inteira. Talvez eu tenha me procurado em você porque ainda não sabia onde me encontrar. Talvez aquele sentimento tenha sido menos sobre possuir alguém e muito mais sobre descobrir quem eu era quando alguém me olhava. Eu queria ser escolhida, compreendida, lembrada. Queria que alguém reconhecesse em mim aquilo que eu mesma ainda não conseguia enxergar.

E, quando isso não aconteceu, pensei que o problema fosse a minha falta.
Não era. Há pessoas que chegam para despertar alguma coisa em nós e depois seguem o caminho delas. Não necessariamente porque foram cruéis ou porque nós fomos insuficientes. Às vezes, simplesmente não sabemos construir juntos aquilo que, sozinhos, sonhamos tão bonito.

Você seguiu.
Eu também.
E, embora tenha demorado, compreendi que não precisava transformar o passado em inimigo para conseguir deixá-lo para trás.

Algumas histórias não terminam com uma grande cena. Terminam devagar, como a luz desaparecendo de uma sala ao entardecer. Quando percebemos, já não há mais claridade suficiente para continuar enxergando a mesma coisa.

Então a gente fecha a janela.
Não por raiva.
Por respeito à própria paz.
Hoje, quando penso naquele tempo, não desejo apagar nada. Até aquilo que doeu teve alguma serventia. Foi através daquela ausência que aprendi a reconhecer minha presença.

Eu queria que você desse amor. 
Acabei aprendendo a me dar companhia.
Eu esperava uma declaração.
Recebi uma compreensão.
Eu imaginava que precisava ser escolhida. 
Descobri que também precisava escolher a mim.

E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de crescimento: perceber que algumas pessoas foram capítulos importantes, mas não precisam continuar sendo o livro inteiro.
Ainda existe um jardim em mim. Por algum tempo, pensei que ele tivesse morrido.

Não morreu. Apenas ficou sem cuidados enquanto eu esperava alguém voltar para regá-lo. Hoje sou eu quem abre a torneira. Sou eu quem poda os galhos secos.
Sou eu quem planta novamente. E, quando alguma flor aparece, já não fico esperando que alguém venha admirá-la.
Eu mesma paro diante dela.
E sorrio. Porque finalmente entendi que, em certos amores, a pessoa que tanto procurávamos no outro éramos nós.


Fernanda

 Fechando naquele tom de psicologia, autoconhecimento e delicadeza
Não se assustem apenas um texto aleatório.😜

10 setembro, 2026

Quando a descoberta muda de mãos

Aleatoriamente um toque de poesia


Às vezes eu penso que toda grande descoberta começa de um jeito muito simples: alguém olhando para alguma coisa e se perguntando por quê? É uma pergunta pequena, mas foi ela que nos trouxe até aqui. Foi por causa dela que aprendemos a observar o céu, entender o corpo, descobrir os remédios, criar máquinas, atravessar distâncias e transformar aquilo que parecia impossível em parte da nossa rotina.
E eu acho bonito pensar nisso. Mas, ao mesmo tempo, existe uma coisa que me incomoda. Quanto mais a humanidade descobre, mais poder ela também acumula. E poder nunca fica simplesmente parado.

A ciência pode criar uma vacina e salvar milhares de pessoas. Pode criar uma tecnologia que aproxima quem está longe. Pode melhorar a vida de alguém que talvez nem tivesse esperança. Mas também pode criar armas, sistemas de vigilância, formas de controle e tecnologias que concentram ainda mais poder nas mãos de poucos.

Então comecei a pensar que talvez o problema não esteja na descoberta. Está em quem decide o que fazer com ela. É por isso que a frase
 “A ciência se torna uma ferramenta neutra a serviço de quem está no comando” me provoca tanto.

Porque a ciência pode até ser neutra enquanto conhecimento. Mas, quando sai dos livros e dos laboratórios e entra no mundo, ela encontra interesses, dinheiro, governos, empresas, disputas e pessoas. 

E aí já não existe tanta neutralidade assim.
Eu me pergunto: quem escolhe quais pesquisas serão financiadas? Quem decide quais tecnologias chegam até nós? Quem ganha quando uma nova descoberta aparece? E quem fica de fora? Talvez a gente tenha se acostumado demais a comemorar o progresso sem perguntar para onde ele está nos levando. Nós ficamos encantados com máquinas que fazem coisas incríveis, com descobertas que parecem pertencer ao futuro, com a velocidade com que tudo muda. Mas quase nunca paramos para perguntar: isso está tornando a vida de quem melhor? Essa pergunta, para mim, é mais importante do que simplesmente saber até onde a ciência consegue chegar. Porque chegar mais longe não significa, necessariamente, chegar a um lugar melhor.

A humanidade descobriu o fogo e aprendeu a cozinhar, se aquecer e sobreviver. Mas também descobriu que o fogo podia destruir. Descobriu a energia, mas também aprendeu a transformá-la em instrumento de guerra. Descobriu maneiras de conhecer o corpo e prolongar a vida, mas também descobriu maneiras cada vez mais sofisticadas de controlar pessoas.

Talvez esse seja o nosso maior paradoxo: somos capazes de criar coisas extraordinárias sem necessariamente sermos extraordinários nas escolhas que fazemos com elas.
E isso me faz pensar que talvez a ciência precise caminhar acompanhada de alguma coisa que não encontramos em um laboratório: consciência.

Porque descobrir é uma capacidade. Mas escolher é uma responsabilidade.
No fundo, penso eu não tenho medo da ciência.
Tenho medo de uma ciência sem perguntas.
De uma ciência que só pergunte “podemos fazer?” e nunca pergunte “devemos fazer?” Porque, quando o conhecimento se transforma em poder, alguém sempre estará segurando esse poder.
E é aí que tudo muda. Penso que a verdadeira questão não seja o quanto a humanidade ainda pode descobrir.

Talvez seja o que ela fará quando descobrir.
E, pensando nisso, eu chego a uma conclusão um pouco incômoda: a ciência pode nos dar ferramentas para transformar o mundo, mas são as nossas escolhas que revelam que tipo de mundo queremos construir.


Fernanda

05 setembro, 2026

Sempre grata!

Aleatoriamente um toque de poesia



Hoje quero agradecer, de coração, por cada felicitação recebida pelo meu aniversário. ❤️ Entre as mensagens bonitas, algumas amizades carregam consigo uma história que o tempo não apaga. 
há tantos anos estamos por aqui, nesse cantinho virtual, construindo uma amizade respeitosa, carinhosa e, acima de tudo, cheia de gratidão a Deus.
Vocês dois foram testemunhas, mesmo que através das palavras e das telas, de tantas fases da minha vida: das conquistas, das lágrimas, dos recomeços, dos dias difíceis, da força que precisei encontrar e, principalmente, da fé que nunca me deixou desistir. Dizem que há pessoas que chegam e simplesmente passam. Outras, Deus coloca no caminho para permanecerem de alguma forma. Vocês são assim para mim, Deus os colocou pra ficar. São tão amados que nem sei explicar com palavras… é  sentimentos que só Deus sabe como fazer nascer e permanecer e ponto. Vocês fazem parte da minha família do coração. E isso é um presente que a vida me deu. Meu carinho e minha gratidão por vocês dois são imensos. Amo vocês! ❤️🙏🏻

E deixo também meu agradecimento cheio de carinho à Fox, https://fox-time.blogspot.com/?zx=9d5447d42b1d0d92  e Nuria, https://escritoranuriadeespinosa.blogspot.com/  pelas felicitações e pelo carinho comigo. Que Deus retribua todo esse afeto em forma de bênçãos.
Meu aniversário passou, mas ficou aquilo que realmente importa: o carinho de quem caminhou comigo, mesmo de longe, e deixou um pedacinho de amor na minha história.
Obrigada por fazerem parte dela.


Obrigada Meu Pai do alto por tudo!
Fernanda 🙏🏻

31 agosto, 2026

Pise nas águas.

Aleatoriamente um toque de poesia



Hoje a poesia me tocou enquanto eu caminhava dentro de mim.

Talvez porque a vida tenha desses chamados, como quem estende a mão e diz: pise nas águas. Não espere que elas se abram diante dos seus olhos.
Pise.

Mesmo com medo.
Mesmo sem saber a profundidade.
Mesmo carregando nas costas aquilo que já deveria ter ficado para trás.

Há caminhos que só aparecem depois do primeiro passo. Hoje entendi que fé não é esperar que o mar fique raso. É confiar enquanto os pés ainda procuram chão.

Então, pise nas águas.

Deixe que elas levem o que pesa, lavem o que doeu e devolvam ao coração aquilo que o medo quase fez esquecer:

você ainda sabe voar.

E enquanto eu caminhava, a poesia me tocou de leve no ombro, como quem sussurra:
Fernanda, vai…
A vida não prometeu águas tranquilas. Prometeu apenas que você nunca caminharia sozinha.



Fernanda

Entre letras e alvorecer

Aleatoriamente um toque de poesia

Há palavras que se desprendem
como folhas cansadas do galho, e eu fico, em silêncio,
a decifrar a raiz do meu ser.

Faço do abraço um agasalho,
e nele me recolho
quando a vida sopra frio.
Depois, devagar,
aprendo a voar entre verbos,
porque letras queimam
quando carregam verdades
que o coração ainda não conseguiu dizer.

O tempo e suas marcas
têm sabor de memória.
Algumas saltam de meus lábios sem pedir licença,
outras permanecem guardadas num lugar onde só a alma alcança.

E quando meus olhos irradiam alguma alegria,
eu descubro que ainda sei sorrir mesmo depois da tempestade.

Idealizo caminhos,
aprendo a sombras soltar,
e sigo recolhendo frutos
de cada estação vivida.

Meus pensamentos, às vezes, entram num labirinto
onde nenhuma bússola conhece o norte.
Mas espero o alvorecer,
porque todo amanhecer
traz consigo a possibilidade
de um novo começo.

Então me desarmo.
E, sem medo de parecer frágil, vou unindo
as lágrimas ao sorriso,
a dor à esperança,
o silêncio ao murmúrio
daquilo que ainda vive em mim.

Talvez a vida seja: um universo de encontros,
algumas tempestades,
muitas marcas,
e a coragem muda
de continuar florescendo
mesmo quando ninguém percebe a raiz que sustenta
a nossa primavera.


Fernanda

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