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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

09 agosto, 2026

Homem também ganha flores

Aleatoriamente um toque de poesia




E hoje, cada criança colocou uma rosa no buquê para André. Não foi apenas uma rosa. Foi um pedaço de amor, um agradecimento pequeno nas mãos de quem ainda está aprendendo a nomear os sentimentos.

Oito crianças. Oito rosas. Oito maneiras diferentes de dizer: pai, nós amamos você.

Olhei para aquele buquê e pensei que existem homens que não precisam de medalhas para serem heróis. Seus feitos não aparecem nos jornais, nem em placas de outdoor.  Estão nas pequenas coisas: no abraço depois do medo, na mão estendida, na paciência, no cuidado, na presença.

André é assim.
Pai de oito, carregando no peito uma espécie de jardim onde cada filho floresce de um jeito. E talvez ser pai seja justamente isso: aprender que nenhuma flor é igual à outra, mas todas precisam de sol, água, cuidado e, sobretudo, presença.

Hoje, as rosas chegaram até ele. E eu fiquei olhando aquela cena com o coração quietinho, porque algumas felicidades não precisam de palavras. Basta olhar.

Para mim, André é mais que o homem com quem divido a vida. É o companheiro das manhãs e das tempestades, o homem que conhece meus jeito de ser , que caminha ao meu lado quando a estrada está com sol ou chuva e que, sem perceber, foi se tornando parte dos meus versos.

Se a minha vida fosse um livro, ele seria uma dessas páginas que a gente lê devagar, com medo de chegar ao fim.

Se fosse uma poesia, eu não precisaria procurar a última estrofe.  Porque há amores que não terminam no ponto final. Eles continuam florescendo.
E hoje, entre oito rosas e oito pequenos corações, eu compreendi mais uma vez:

André é o pai herói deles.
E, para mim, é a minha melhor poesia.

Feliz Dia dos Pais, meu amor.
Que nunca lhe faltem flores porque homens que amam, cuidam e permanecem
também merecem recebê-las.


Fernanda

08 agosto, 2026

José e o primeiro sorriso doce

Aleatoriamente um toque de poesia


Há momentos em que os filhos nos surpreendem sem perceber. Não chegam anunciando que cresceram. Não dizem: “Mãe, estou deixando de ser menino.”
Apenas aparecem diante de nós com uma história pequena nas mãos e, de repente, percebemos que alguma coisa mudou.

Foi assim com José.
Meu adolescente chegou perto de mim com aquele jeito tranquilo de quem ainda não sabe se deve contar ou guardar.

Então eu que conheço meus filhos nos detalhes  o fitei demoradamente. 

E ele, Mãe, encontrei uma menina do sorriso doce.

Há certas palavras que fazem uma mãe refletir imediatamente.

É mesmo, José?

Ele continuou:
Ela perguntou meu nome e se eu tenho namorada. Eu disse que me chamo José e que não tenho namorada.

Continuei fitando ele.
José já não era aquele menino que corria pela casa atrás das pequenas alegrias. Havia nele alguma coisa diferente. Uma certa timidez escondida atrás da educação, um começo de descoberta que ainda não sabia nomear.

Então ele me perguntou:
O que você acha, mamãe?

Sorri. 
Ainda estou me acostumando com o modo como você e  Clarinha perguntam essas coisas hoje em dia, filho.

Ele riu.
Mas não desistiu:
E você mamãe, o que sentiria se alguém perguntasse isso para você?

Foi então que eu entendi que aquela conversa não era sobre uma menina.
Era sobre a vida. Sobre aprender a olhar para o outro sem pressa. Sobre o coração que, às vezes, se encanta antes mesmo que a razão tenha tempo de chegar.
Perguntei:

E você, José? O que sentiu?

Ele pensou.
Achei que ela foi muito apressada.

Talvez tenha sido mesmo.
Mas eu não queria ensinar meu filho a julgar aquela menina. Queria ensiná-lo a compreendê-la.

Filho, às vezes as pessoas se aproximam de nós de maneiras que não entendemos imediatamente. Isso não faz delas boas ou ruins. Apenas diferentes. Antes de julgar, conheça.

Ele ficou quieto.

E eu continuei:
Mesmo sentindo algo por alguém, precisamos conhecer antes de julgar. O coração pode se encantar com um sorriso, com uma palavra, com um olhar… mas conhecer alguém exige tempo.

José me ouviu com aquela atenção bonita dos adolescentes quando ainda fingem que não estão prestando tanta atenção assim.

Depois sorriu.obrigada mamãe!
E saiu.

Fiquei sozinha.
Pensei em como os filhos crescem enquanto nós ainda estamos ocupadas tentando guardar a infância deles.
Um dia, somos nós que escolhemos suas roupas, penteamos seus cabelos, seguramos suas mãos.

Depois eles começam a escolher. Escolhem os amigos. Escolhem os caminhos. E, um dia, talvez escolham alguém para caminhar ao lado.

A maternidade é também essa delicada arte de abrir as mãos sem deixar de amar.
José está começando a descobrir que existe um mundo inteiro dentro de cada pessoa. Que uma menina não é apenas um sorriso doce.
Que um menino não é apenas uma resposta.

Que gostar não significa possuir. Que aproximar-se exige respeito.
Que conhecer é mais bonito do que imaginar. E que ninguém deveria ser julgado apenas pela primeira impressão.

Talvez seja isso que eu queira deixar para meus filhos como uma pequena herança de mãe: tenham coragem para sentir, mas tenham sabedoria para conhecer.

Não tenham pressa de chamar de amor aquilo que ainda é apenas encanto.
Deixem o tempo conversar com vocês.

Porque algumas histórias começam com uma pergunta.
Outras começam com um sorriso.

E algumas, as mais bonitas, começam quando duas pessoas simplesmente decidem se conhecer.

Naquela noite, olhei para José e pensei: Meu Deus…
quando foi que aquele meu menino cresceu?

Talvez tenha sido ontem.
Talvez tenha sido enquanto eu estava distraída, cuidando da vida. Ou talvez os filhos nunca cresçam de uma vez.
Talvez apenas nos ensinem, pouco a pouco, a amá-los de um jeito novo.

E eu, mãe que ainda guarda tantos meninos dentro do coração, vou aprendendo.
Com José. Com seus primeiros encantamentos.
Com suas perguntas.
Com seus silêncios.

E com essa coisa tão bonita e tão perigosa chamada vida, que começa cedo a nos ensinar que amar alguém também é aprender a enxergá-lo para além daquilo que nossos olhos conseguem ver.



Fernanda

Entre férias exercício e poesia

Aleatoriamente um toque de poesia


Gosto de me exercitar, não apenas pelo cuidado com o corpo, mas pelo curioso prazer de perceber que, enquanto os músculos se movimentam, os pensamentos parecem encontrar também um caminho mais leve.

E este lugar… este lugar é simplesmente maravilhoso. Há paisagens que não exigem elogios, pois possuem a delicadeza de dizer tudo por si mesmas. Basta estar ali, respirar demoradamente e deixar que os olhos se demorem um pouco mais sobre aquilo que é belo.

Talvez seja esse um dos pequenos privilégios da vida: descobrir que o exercício pode ser também contemplação, que o esforço pode vir acompanhado de encantamento e que uma manhã comum pode, quando Deus assim permite, transformar-se em poesia.

Então, antes de tudo, faço apenas uma prece, simples e sincera: Obrigada, Senhor, por minha família e por estes momentos poéticos. Pela saúde que me permite caminhar, pelo corpo que  responde aos meus desejos, pela natureza que me ensina e por esta extraordinária capacidade de encontrar beleza onde muitos talvez apenas vejam um lugar.

E, como diria uma senhora sensata diante das coisas verdadeiramente importantes da existência: há momentos em que não precisamos de grandes acontecimentos basta agradecer pelo privilégio de estar exatamente onde a alma gostaria de permanecer.



Fernanda

06 agosto, 2026

A poesia mora aqui

Aleatoriamente um toque de poesia


Hoje eu não sou médica,
não sou a mulher das horas corridas, dos compromissos, dos cuidados.

Hoje sou apenas mãe.
Mãe de férias,
com os pés na areia
e o coração espalhado pela praia.

Oito dias de sol,
mar, risadas e família inteira
fazendo morada no meu olhar.

Pedro e José,
grudados como duas páginas
da mesma história,
correm, brincam, inventam o mundo e nem percebem que, de longe, eu os guardo em mim.

Meus filhos…
meus filhos, meus filhos, meus filhos.
Digo baixinho,
como quem reza.
E Deus escuta.

Porque talvez Ele tenha feito o céu para eu aprender a olhar para cima e o mar para eu compreender que amor de mãe também não tem margem.

Enquanto o sol derrama ouro sobre as águas, Deus pinta diante de mim a tela mais bonita: minha família.

Não há quadro mais perfeito.
Não há fotografia mais bonita.
Não há riqueza que se compare.

Há risos.
Há abraços.
Há crianças.
Há filhos.
Há amor.

E eu estou aqui,
no meio de tudo isso,
com a alma descalça
e o coração cheio.

Obrigada, Senhor,
pela minha família numerosa e carinhosa. Obrigada por cada nome que mora dentro do meu coração.

Hoje eu não quero guardar lembranças.
Quero viver a lembrança enquanto ela acontece.

Porque um dia, quando o tempo passar,
talvez eu feche os olhos
e ainda consiga ouvir o mar…
e, no meio dele,
a voz dos meus filhos.

E então vou saber:
Deus já tinha me dado o paraíso. Ele apenas colocou uma praia para eu perceber  com emoção lágrima, alegria, poesia e gratidão 🙏🏻 



Fernanda


Quando as férias me abraçam

Aleatoriamente um toque de poesia





As férias me abraçam com poesia. Chegam devagar, como quem conhece o cansaço que ficou para trás e sabe que, depois de tantos dias corridos, a alma também precisa de descanso.

E então vem o mar.
Ele o mar… não pergunta nada. Apenas se aproxima e me beija com suas gotas, como se cada onda trouxesse uma pequena mensagem de liberdade.

Caminho perto da água e sinto que alguma coisa em mim também se desfaz. As preocupações vão ficando para trás, misturadas à areia, enquanto o vento penteia meus pensamentos e o horizonte me ensina que há coisas que não precisam de explicação precisam apenas ser contempladas.

Nas férias, descubro que descansar também é uma forma de poesia.
É acordar sem pressa.
É ouvir o barulho das ondas.
É deixar o olhar perdido no azul. É sentir o sol tocar a pele. É respirar profundamente e perceber que, por alguns instantes, nada me falta.

O mar me beija novamente.
E eu sorrio.
Talvez porque algumas felicidades sejam assim: simples, líquidas, passageiras e eternas ao mesmo tempo.

E enquanto as ondas vêm e vão, penso que a vida também é feita disso chegadas e partidas, encontros e despedidas, marés que sobem e descem.

Mas hoje não quero entender a vida.

Quero apenas vivê-la.
Quero que estas férias me abracem.

Quero que o mar me beije.
E que cada gota que tocar meu rosto leve consigo um pouco do peso dos dias, deixando em mim somente aquilo que merece permanecer:

a leveza, a gratidão e a poesia de estar viva. Amém! 🙏🏻 



Fernanda


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