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Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

10 junho, 2026

O livre-arbítrio e as esquinas de dentro

Aleatoriamente um toque de poesia


Às vezes, penso que o livre-arbítrio é feito de esquinas.
Aquelas que a gente dobra sem saber o que tem depois 
mas ainda assim escolhe virar.
Então, decido pintar um quadro, porque eu gosto de pintar.

Dizem que somos livres.
Mas ninguém explica direito o peso das asas.
Liberdade é bonita no papel, na teoria, na boca dos outros.
Na prática, ela exige responsabilidade, sabedoria e coragem
Porque não tem desculpa pronta quando a decisão é sua.

É fácil dizer “faça o que quiser”.
Difícil é sustentar o que se escolheu.
Difícil é olhar para trás e não culpar o mundo, 
o tempo a infância.
Difícil é dizer: “Eu fiquei porque quis.”
“Eu fui porque precisei.”
“Eu calei por escolha, não por medo.”

O livre-arbítrio não mora só nas grandes decisões.
Mora no tom que escolho usar quando alguém me contraria.
Naquela mensagem que não envio.
Naquela palavra que guardo.
Naquele abraço que ofereço mesmo sem receber.
Mora na coragem de amar de novo, sabendo o que já doeu antes.

E também mora nas escolhas que a gente não controla, 
mas decide como atravessar.
Não escolhi algumas perdas.
Mas escolhi como guardar quem partiu.
Não escolhi a dor 
mas escolhi não me tornar amarga.

O livre-arbítrio, às vezes, é só isso:
a chance de tentar outra vez,
de escolher com o coração mais limpo, mais experiente, mais sábio,
de parar de repetir padrões que já não vestem mais.

E se há um destino, talvez ele esteja escrito a lápis.
Pra que a gente possa escrever por cima,
com mãos trêmulas, mas inteiras.

Porque o que nos foi dado de mais divino não foi o controle 
foi a possibilidade de responder com consciência.
Mesmo que a resposta venha depois de muitas tentativas.

A vida é generosa assim:
nos oferece escolhas
e nos dá o tempo de aprender a escolhê-las melhor.
Concordam?






Fernanda

07 junho, 2026

Jeitinho de ser

Aleatoriamente um toque de poesia


Cada um tem um jeitinho de ser que carrega como assinatura.
Umas pessoas chegam fazendo festa, abrindo as janelas do ambiente com risada alta e presença luminosa. Outras chegam devagar, como quem pede licença ao chão, e só depois de um tempo a gente percebe que a casa ficou mais quente. Há quem fale com as mãos, quem converse com os olhos, quem escreva com o corpo inteiro sem precisar de nenhuma palavra.

Meu jeitinho de ser sempre foi meio "bagunçado" e profundo uma mistura de café muito forte com silêncio pensativo. Nunca soube entrar em lugar nenhum sem levar meus sentimentos junto, como se eu fosse um pequeno cortejo de memórias ambulantes. Chego com o passado no bolso, com o futuro nos olhos e com o presente tentando alinhar o passo. E se tropeço, paciência. Faz parte das curvas que me desenham.

Há quem diga que sou sensível demais.
Eu digo: sou sensível o suficiente para não viver pela metade.
Sinto o que sinto sem pressa de aparar as bordas.

No meu jeitinho de ser, eu amo com cuidado, mas não com medo.
Tenho traumas, claro, quem não tem? Mas aprendi a não criar jaulas com eles. Deixo que me alertem, não que me acorrentem. Já fui de construir paredes; hoje prefiro erguer quintais. Porque descobri que amar não é vigiar, é cultivar. Amor que respira é amor que floresce.

E, veja bem, cada jeitinho é um mistério.
Tem gente que é Norte, guia.
Tem gente que é Sul, descanso.
Tem gente que é Leste e traz amanhecer.
Tem gente que é Oeste e guarda crepúsculos.
E a gente, na vida, encontra um pouco de cada direção até descobrir o próprio eixo.

O meu eixo tem filhos correndo pela casa, tem lembranças que me abraçam mesmo quando doem, tem fé que se inclina sobre mim como quem ajeita um cobertor. Tem dias de desordem, sim. Tem dias de paz também. Nesse meio, sigo sendo eu, lutando com meus medos, conversando com Deus na cozinha enquanto a água ferve, agradecendo pelas coisas que se ajeitam sem que eu precise entender.
E pedindo que Ele fique comigo todos os dias e hoje no dia de retorno ao lar.

E se o meu jeitinho de ser não couber na expectativa de alguns, tudo bem.
Eu não fui feita para caber, fui feita para viver.
E viver é ampliar,  não reduzir.

No fundo, o jeitinho de ser é o testemunho íntimo da nossa existência.
É o que fica quando o resto vai embora.
É o que somos quando ninguém está olhando.
E é ali, exatamente ali,  que mora a verdade.

Que cada um possa honrar seu próprio jeitinho.
Com carinho.
Com coragem.
Com gentileza com as próprias falhas.

Porque no fim das contas, o mundo todo se equilibra nessa diversidade bonita de sermos únicos e ainda assim, encontrados.😜


Fernanda

02 junho, 2026

Saudade

Aleatoriamente um toque de poesia



Saudade é essa coisa que chega sem pedir licença,
puxa uma cadeira dentro de mim e faz silêncio.
Ela não grita, não exige, não ameaça. Só permanece.
Com a calma de quem conhece todos os meus atalhos.

Saudade é um lugar onde eu me encontro e me perco.
É o quarto que ainda guarda teu cheiro, é a xícara que insiste em ser par,
é o rastro de quem fui quando estava contigo.

É sentir falta até do que doeu, como se a dor também tivesse perfume.
Como se o que partiu ainda me tocasse a pele
com mãos abstratas.

Tem dias em que tento enganar a saudade 
arrumo a casa, mudo os móveis, viro as fotografias de cabeça para baixo
como se elas não soubessem virar o coração de volta.

Mas ela fica.
Feita de poeira de lembrança. Feita de tudo que não volta,
mas visita.

E eu, no fundo, sei:
sentir saudade é prova de que vivi. É testemunho de que amei sem medidas,
que me deixei ficar em lugares onde a alma respirou mais fundo.

Saudade é o grito de quem fui quando fui inteira.
E se dói, é só porque valeu.

Hoje, abraço essa falta como quem acolhe um gato arisco: sem pressa, sem tentar domar.
Deixo que a saudade me diga o que precisa
e agradeço o privilégio de ainda sentir.

Porque, se existe saudade,
é sinal de que existiu encontro. E encontros, mesmo quando viram ausência, continuam sendo milagre.
Que a saudade saiba ficar leve quando meu peito aprender a ser casa de novo.



Fernanda

(Texto criado um ano depois da  ausência de Felipe)
Hoje, não dói... 
só ficou uma saudade tão cheia de memórias.
Obrigada meu amor -anjo!

30 maio, 2026

Meus queridos amigos do blog,

Aleatoriamente um toque de poesia

Tenho observado, com certa culpa, minhas ausências cada vez mais prolongadas nas visitas aos espaços tão carinhosamente mantidos por vocês. Acreditem, se dependesse apenas da vontade, eu passaria tardes inteiras lendo cada reflexão, comentando como amo fazer cada poesia, textos do cantinho de cada um de vocês. Cada pequeno pedaço de alma deixado por vocês no meu blog, eu agradeço profundamente. Porque vocês são quem aprendi a estimar neste caminho virtual tão afetuoso.

No entanto, a vida, com seus compromissos insistentes, resolveu ocupar minhas horas de maneira quase tirânica.😉 Como já lhes contei certa vez, guardo muitos textos em meus rascunhos pequenas confidências escritas em noites  que o coração precisou. 

E talvez seja isso que ainda me permita manter o blog atualizado mesmo em meio à correria que atualmente me acompanha. Estou em São Paulo, 12 dias  em cada mês, fazendo minha especialização e o tempo, esse velho senhor sempre apressado, tem passado diante de mim sem sequer permitir longas pausas para descanso.

Além disso, aventurei-me também pelos caminhos da psicologia. Confesso-lhes que não foi escolha feita por vaidade acadêmica, mas por necessidade do coração. Desejo compreender melhor as dores humanas, especialmente as crianças e aqueles que enfrentam a ansiedade, essa tristeza inquieta que tantas vezes sorri por fora enquanto desmorona por dentro.

Por isso, meu querido Albino, e outros queridos, peço-lhe gentilmente que não estranhe meu aparente desaparecimento. Não houve afastamento de afeto, tampouco esquecimento dos amigos que tanto respeito. Há apenas uma mulher tentando equilibrar filhos, casamento, sonhos, estudos, trabalho e cansaço sem perder a ternura no caminho.

Outros amigos também têm perguntado sobre meu “sumiço”, e isso, devo admitir, toca-me profundamente. Tão bonito em ser lembrada com carinho.

Prometo, porém, que voltarei às visitas mais demoradamente com mais calma assim que conseguir organizar melhor meus dias, que atualmente parecem correr mais depressa do que meu próprio coração consegue acompanhar. Vou devagar, é verdade, mas sigo indo.

Peço desculpas àqueles que chegam ao meu espaço, deixam palavras gentis e nem sempre recebem minha pronta retribuição. Não aconteceu nada além daquilo que a vida adulta costuma fazer conosco: multiplicar responsabilidades enquanto reduz o tempo.😊

Ainda assim, saibam:
a ausência de visitas jamais significará ausência de consideração. Estou visitando devagar como consigo tá? Mas vou!

Neste momento respondi aqui a você, querido Albino, e a todos que me perguntaram porque o sumiço. Não gostaria que imaginassem desatenção ou frieza da minha parte. Muitos que aqui vem, são amigos do blog e merecem explicações.

Mas agora, veja só o estado desta pobre criatura que vos escreve: ainda preciso tomar o desjejum, almoçar e jantar tudo quase ao mesmo tempo, o que certamente faria qualquer dama carioca parecer pouco organizada diante de tamanha confusão doméstica. Rsrs.

Naturalmente, não são todos os dias que realizo tais proezas alimentares em horários tão absurdos, mas hoje o trabalho decidiu aprisionar-me completamente entre livros, anotações, estudos e compromissos que não me permitiram sequer sair daqui.

Quando me entrego ao que faço, entrego-me por inteira.
E talvez este seja tanto meu defeito quanto minha virtude mais sincera. Tenho dificuldade em fazer qualquer coisa pela metade. Mergulho profundamente nas responsabilidades, nos estudos, nos afetos. Às vezes penso que certas pessoas nasceram com a habilidade admirável de equilibrar tudo com leveza; eu, porém, pareço sempre viver entre intensidades.
Mas apesar do cansaço, existe também gratidão.

Gratidão por ainda possuir sonhos que me movem, por continuar aprendendo, por poder ajudar pessoas através da profissão que escolhi e por encontrar, mesmo em meio à correria, amigos capazes de notar minha ausência com carinho em vez de indiferença. Isso, meu amigo, tem um valor imenso nos tempos atuais.

E assim: entre livros, pacientes, estudos, saudades das visitas ao blog e xícaras de café, estou 
tentando não perder a “delicadeza da alma”enquanto a vida corre apressada diante de mim.

Com carinho,
Fernanda

28 maio, 2026

Os Hieróglifos e os Egípcios

Aleatoriamente um toque de poesia


Sempre achei curioso o modo como os egípcios escreviam: figuras, animais, símbolos, tudo misturado num mesmo espaço sagrado. Era como se cada palavra tivesse alma, e cada traço guardasse uma prece.
Talvez por isso a escrita deles tenha passeado milênios porque não era apenas comunicação, era encantamento.

Os hieróglifos não serviam para falar do banal. Eram usados para contar o que importava: o nascimento, a morte, o amor, a eternidade. Tudo o que fosse digno de permanecer precisava ser gravado em pedra, como quem queria dizer: “isto é maior do que o tempo.”

E penso que, de algum modo, ainda somos um pouco egípcios. Continuamos tentando deixar nossas marcas não mais em paredes de templos, mas nas telas, nos papéis, nas memórias alheias.
Cada mensagem, cada fotografia, cada palavra dita em voz trêmula é um hieróglifo moderno: uma tentativa de resistir ao esquecimento.

Talvez os egípcios não quisessem apenas falar com os "deuses", mas com o futuro.
E aqui estamos nós, repetindo o gesto, tentando ser entendidos por alguém que ainda não nasceu.
No fundo, todos queremos o mesmo:
que o tempo nos leia e que entenda.



 Fernanda


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