✿Aguarde os próximos capítulos...✿

Eu amo escrever. Escrevo porque às vezes não cabe tudo aqui dentro. Porque há sentimentos que só se organizam quando viram palavras, e pensamentos que só fazem sentido quando dançam na página. Amo também olhar o céu e talvez isso diga tudo. Há quem olhe o céu para prever o tempo, eu olho para prever a mim mesma. Há algo em observar as nuvens, as estrelas ou o silêncio azul que me faz lembrar que existe poesia mesmo nos dias comuns. Este blog nasce desse encontro: entre a escrita e o céu. Vai ser um espaço para dividir pensamentos, contar histórias, guardar pedaços de mim e talvez, de você também, que me lê agora. Obrigada por estar aqui. Que você se sinta à vontade. Que cada texto seja como uma janela aberta, onde o vento entra leve e, quem sabe, traz um pouco de luz também

✿Amor sempre....

✿Amor sempre....
Caminho entre flores. O chão continuará pra nós com outras paisagens. Sou o que sou, porque é tudo que sei ser. E todo meu olhar escrito que você nunca aprendeu a ler, permanecerá no descaso para quem não compreende.

30 janeiro, 2026

Entre o giz e o coração

Aleatoriamente um toque de poesia



“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”  Cora Coralina

Li essa frase pela manhã, enquanto o meu café ainda soltava vapor e a casa bocejava em silêncio. Guardei-a no bolso do dia, como quem leva uma moeda antiga para atravessar a rotina. E fui viver.

No caminho, percebi que ensinar não mora apenas nas salas com quadro branco. Ele anda de chinelo pelas cozinhas, senta nos bancos das praças, se esconde nas filas de mercado e aparece nos conselhos tímidos que damos sem perceber. Ensinar é um gesto que às vezes sai sem pedir licença. Um olhar que orienta. Um exemplo que empurra. Um erro que, confessado, vira aula.

E aprender… huum, aprender é mais danado. Ele não pede currículo, nem diploma. Vem disfarçado de criança curiosa, de idoso paciente, de desconhecido generoso. Aprende-se quando se escuta de verdade. Quando o ego senta e o coração levanta. Quando a gente aceita que o outro também carrega lugares que não conhecemos.

Hoje, ensinei alguém a organizar palavras. Em troca, aprendi a organizar silêncios. Ensinei um caminho. Recebi outro. Dei respostas. Ganhei perguntas melhores. Foi aí que entendi Cora não com a cabeça, mas com o peito: a felicidade não está em acumular saber, mas em fazê-lo circular. Saber parado vira poeira. Saber partilhado vira caminho.

No fim do dia, dobrei a frase e devolvi ao bolso do tempo. Ela já não era só de Cora. Era um pouco minha também. Porque quem ensina com amor sempre volta para casa carregando algo novo mesmo quando acha que só saiu para doar.

E assim sigo: transferindo o que sei, aprendendo o que ensino, tropeçando bonito na arte de ser humana.
Sabe? É tão bom!😉

Fernanda

Volta delicada ao essencial

Aleatoriamente um toque de poesia



Ando reparando como as pessoas estão procurando outras formas de comunicação. Cansaram do grito, do excesso, da pressa. Estão migrando de plataformas, testando formatos, buscando novos jeitos de dizer e, principalmente, de serem ouvidas. Há uma inquietação no ar, um desejo silencioso de voltar a conversar de verdade.

No meio desse movimento, os blogs seguem ali. Discretos. Quase fora de moda. E, paradoxalmente, mais necessários do que nunca.

Enquanto o mundo digital corre atrás de segundos, curtidas e algoritmos, o blog permanece como uma casa antiga de janelas abertas. Ali ainda se entra sem empurrão, sem disputa por atenção. Senta-se. Lê-se devagar. Respira-se junto. O texto não precisa gritar para existir.

Vejo muita gente redescobrindo esse espaço como quem encontra um velho amigo esquecido numa gaveta da memória. Porque o blog pede presença. Não exige performance pede verdade. É território de quem escreve para permanecer, não apenas para aparecer.

E talvez seja isso que tanta gente esteja buscando: um lugar onde a palavra não seja descartável. Onde a dor possa ser dita sem virar entretenimento. Onde a alegria não precise ser editada. Onde o silêncio entre um parágrafo e outro também faça parte da conversa.

Os blogs são jardins. Não crescem rápido, mas criam raízes. Não viralizam, mas permanecem. Não explodem florescem.

Num tempo em que tudo some em vinte e quatro horas, escrever num blog é quase um ato de resistência emocional. É dizer: eu fico. Eu construo. Eu cultivo.

Talvez o futuro da comunicação não esteja apenas nas novidades tecnológicas, mas nessa volta delicada ao essencial: pessoas falando com pessoas, sem filtros demais, sem pressa demais, sem máscaras demais.

E se for assim, os blogs não são passado. São abrigo. São memória viva. São chão.

E eu sigo acreditando neles. Porque ainda há quem queira ler com o coração.

E não é curioso perceber que, enquanto tudo se acelera, cresce também o desejo de desacelerar? Vejo isso nos comentários mais longos, nas mensagens privadas cheias de cuidado, naqueles que dizem: “li devagar”, “voltei para reler”, “me senti em casa”. São sinais pequenos, mas luminosos, de que ainda existe fome de profundidade.

Porque o excesso de ruído cansou. Cansou a alma. Cansou o olhar. Cansou até o toque, que virou deslizar de dedo. E, nesse cansaço coletivo, os blogs reaparecem como bancos de praça: simples, silenciosos, humanos. Lugares onde a gente senta para observar a vida passar sem precisar correr atrás dela.

Aqui, a escrita não precisa caber em poucos caracteres. Ela pode tropeçar, respirar, errar, voltar, amadurecer. Pode ser confissão, crônica, poesia, desabafo ou oração. Pode ser tudo isso misturado, como a própria vida é.

Talvez por isso quem escreve em blog escreva diferente. Escreve com mais verdade, menos maquiagem. Não há palco em exposição, há mesa posta. Não há plateia em pé, há cadeiras puxadas para perto.

E eu gosto dessa intimidade sem pressa. Gosto de saber que minhas palavras não disputam atenção, apenas oferecem companhia.

Num mundo que transformou comunicação em performance, o blog continua sendo diálogo. Num tempo que transformou pessoas em números, ele insiste em chamar pelo nome. Num cenário que valoriza o imediato, ele aposta na permanência.

Por isso sigo aqui. Escrevendo devagar. Sentindo fundo. Plantando palavras como quem sabe que nem todas vão florescer rápido mas algumas, silenciosamente, criam raízes em alguém.

E isso, para mim, ainda é comunicação de verdade.

Fernanda

29 janeiro, 2026

Entre Luz e Silêncio

Aleatoriamente um toque de poesia



O sol se deita devagar
no colo dourado das águas,
e o dia, cansado de ser claro,
aprende a sussurrar.

Há um caminho de fogo líquido escorrendo no rio do céu, 
como se Deus deixasse pegadas para quem ainda acredita em recomeços.

A terra, em pedras e verdes tímidos, 
guarda segredos antigos, 
raízes que sabem esperar sem nunca desistir de florescer.

E eu, pequena diante do horizonte, 
aprendo a ser calma, a caber no instante,
a aceitar que tudo passa
menos a beleza de sentir.

Porque quando o sol se despede, não é fim:
é promessa de amanhã
vestida de ouro e silêncio.

Fernanda

28 janeiro, 2026

Por que você tem blogger?

Aleatoriamente um toque de poesia


Porque tenho blogger?
Sou blogueira?
E porque sou blogueira?

Às vezes me faço essas perguntas como quem se olha demoradamente, ainda com o rosto amassado de sonhos e insônias. E a resposta nunca vem técnica, nunca vem estratégica, nunca vem “profissional”. Ela vem simples, quase tímida: eu blogo porque amo escrever.

Escrevo porque, quando escrevo, algo em mim se organiza. É como sentar num divã que não julga, não apressa, não cobra resultado. Um divã que é meu e, curiosamente, também é de quem lê. Porque quem sente se senta comigo. E ficamos ali, em silêncio compartilhado, remexendo memórias, dores, esperanças, afetos.

Não blogo para ser tendência. Blogo para não me perder. Para não engolir palavras que virariam nó. Para transformar pensamento em caminho e sentimento em respiração.

Chamam isso de ser blogueira. Eu chamo de sobrevivência emocional. De exercício de alma. De tentativa diária de entender o mundo e, principalmente, de me entender dentro dele.

O blog virou meu quarto aberto. Minha sala de estar emocional. Meu caderno sem cadeado. Ali eu entro descalça, sento no chão das ideias, espalho sentimentos pela mesa e convido quem quiser a sentar junto.

E quem chega não vem para consumir texto. Vem para se reconhecer. Porque, no fundo, todo leitor procura um espelho gentil. E todo escritor procura alguém que diga em silêncio: “eu também sinto assim”.

Então, se me perguntarem de novo:
 Por que você tem blogger?

Eu respondo sem hesitar:
Porque ali eu existo inteira.
Porque ali minha voz não precisa pedir licença.
Porque ali eu respiro mais fundo.

E sim… talvez eu seja blogueira.
Mas antes disso, sou alguém que escreve para continuar viva.



Fernanda

Por aqui, encerramos por este mês.
Então Sampa, vou curtir minha família e depois?
Aeroporto.😍

27 janeiro, 2026

Ele diz que sou linda

Aleatoriamente um toque de poesia


Ele diz que sou linda
como quem não exagera,
como quem enxerga
além do espelho e do dia.

Diz que sou toda poesia,
e não fala apenas da forma,
mas do jeito que sinto,
do modo como silencio
quando a alma fala mais alto.

Quando ele diz,
não me enfeita 
me reconhece.
E isso toca lugares
que o elogio comum não alcança.

Sou linda, ele diz,
nos dias claros
e nos desalinhados,
quando o riso falha
e o cansaço pesa.

Sou poesia inteira,
mesmo com versos tortos,
mesmo com pausas longas,
mesmo quando não sei rimar
meus próprios sentimentos.

Ele diz.
E pela primeira vez,
acredito
sem pedir confirmação ao mundo.
Porque sinto a verdade de seu coração.



Fernanda

Seguidores