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28 dezembro, 2025
Horizonte
4 comentários:
depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)
"Se tudo é tom,
ResponderExcluirque eu seja mistura.
Que eu seja gradação.
Que eu seja infinita possibilidade de cor"
é isso!
Linda conversa com o tempo...Na certa ele te entende e atenderá!
ResponderExcluirQue a paleta de cores seja linda no novo ano! Que se mesclem lindamente!
beijos, tudo de bom,chica
Boa noite de paz, querida amiga Fernanda!
ResponderExcluirImagino como você corre contra o tempo...
Já corri também.
"Tenho tentado aprender a te ouvir."
Amiga, estou tentanto me ouvir em primeira instância.
Depois, sem egoísmo algum, ouvir os que me cercam com atenção.
Mais um pouco, ouvir o Universo, o mundo ao meu redor e ser muito feliz para conseguir fazer os que me querem bem também felizes, pois eles merecem.
As nuances da vida estão a dispor... é preciso ver tons, afetos, sentimentos, sensações, emoções variadas... é prioridade, inclisive.
Deus permita que estejamos com a paleta ideal em mãos hábeis a fim de proporcionarmos e aos que nos cercam tons edificantes.
Tenha dias abençoádos na Oitava de Natal!
Beijinhos fraternos
Oi, Fernanda!
ResponderExcluirMuito linda essa conversa com o tempo. Também penso assim, bem do jeitinho que você desenhou: "viver é acolher os tons, mesmo os dissonantes, sem tentar repintar o que já não cabe na tela".
Qualquer outro modo diferente pode ser tudo, menos viver.
Feliz Ano Novo, querida!
Bjsss, marli