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O nome dele é José Carlos, mas eu sempre o chamo Eros. Ele? É daqui deste cantinho https://erosdepassagem.blogspot.com/
E talvez seja por isso mesmo que seus gestos sempre cheguem carregados de afeto. No dia 19/01, chegou este livro:
que ele me enviou de presente. Meu pai recebeu, me ligou avisando, e naquele instante senti aquela alegria mansa que só quem ama livros entende.
Eu adoro livros. E este, em especial, eu li degustando cada página, sem pressa, deixando as palavras repousarem em mim, como quem conversa em silêncio com o autor e consigo mesma.
Obrigada, querido Eros, pelo carinho de sempre, pela lembrança delicada, pelo cuidado em transformar um gesto simples em algo tão significativo. Amei. E é tão bom saber que ainda existem amizades assim: raras, gentis, presentes mesmo na distância.
Que bonito é perceber que, além das histórias que lemos, também somos feitos dessas pequenas histórias de afeto que a vida escreve para nós. Obrigada meu amigo querido!
Amei o livro!
RESENHA
“Tira as sandálias… O chão que pisas é sagrado”
Raimundo Nonato dos Santos Pereira | Editora Quarteto
Este livro nasce de um versículo conhecido (Êxodo 3:5), mas não se limita à repetição do texto bíblico. Ele convida o leitor a uma experiência interior: a de aprender a reconhecer o sagrado nos pequenos instantes da vida cotidiana.
Raimundo Nonato constrói a obra com linguagem simples, acessível e profundamente sensível. Ao longo das páginas, o autor conduz o leitor a refletir sobre humildade, reverência, silêncio interior e presença de Deus — não como algo distante, mas como realidade viva que se manifesta nos encontros, nas dores, nas escolhas e nos recomeços.
Um dos pontos mais fortes do livro é sua proposta de desacelerar. “Tirar as sandálias” aqui não é apenas um gesto simbólico de Moisés diante da sarça ardente; é um chamado para despir-se do orgulho, da pressa, da rigidez emocional e das certezas absolutas. O autor insiste, com delicadeza, que só reconhece o sagrado aquele que aprende a caminhar com mais escuta do que palavras.
A narrativa alterna reflexões espirituais, interpretações bíblicas e aplicações práticas, o que torna a leitura acolhedora tanto para quem já vive uma caminhada de fé quanto para quem está em busca de sentido. Não há tom de imposição religiosa, mas sim de convite: um convite ao recolhimento, à introspecção e à reconciliação consigo mesmo.
Outro mérito da obra está na sua dimensão pedagógica espiritual. O texto provoca o leitor a rever posturas internas: como lidamos com o sofrimento, com o perdão, com o outro e com Deus. Cada capítulo funciona como uma pequena pausa para oração silenciosa, mesmo quando o livro não fala explicitamente em oração.
Em síntese, Tira as sandálias… O chão que pisas é sagrado é uma leitura que não busca impressionar pela erudição, mas tocar pela verdade simples do Evangelho vivido. É um livro para ser lido devagar, sublinhado, relido e, sobretudo, praticado.
Uma obra que nos lembra, com suavidade, que há lugares sagrados que não estão no mapa — estão dentro de nós.
Gratidão por você ter lembrado de mim
Fernanda
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depois que a letra nasce
não há silêncio
há um choro que só eu ouço
e um medo que ninguém vê
o medo de mostrar demais
de sangrar diante de estranhos
de ser lida com desdém
ou pior: com pressa
porque parir palavras
é também deixar o peito aberto
num mundo que não sabe lidar
com quem sente fundo
a escrita respira fora de mim
e eu, nua, assisto
alguns dizem que é lindo
outros nem leem até o fim
há quem tente vestir meu poema
com a própria assinatura
como se dor fosse transferível
como se parto tivesse atalho
e é aí que mais dói
quando roubam o nome da minha filha
e fingem que nasceu de outra boca
quando arrancam o umbigo do texto
e dizem: “isso é meu”
não é
eu sei cada madrugada que ela levou
cada perda que empurrou esse verso
cada lágrima que virou frase
não quero aplauso
mas exijo respeito
porque minha escrita
anda no mundo com meu rosto
meus olhos, minha história
e quando alguém a toma como se fosse nada
está me dizendo:
“você também é nada”
mas eu sou tudo
o que ninguém teve coragem de escrever
e continuo parindo
mesmo ferida
porque escrever é a única forma
que conheço de sobreviver
(Fernanda)